Coragem para testemunhar: Paulo
diante da multidão
Subsídio
pastor e professor Osvarela
Lição CPAD 9 -30/08/2026
Texto
“Porque hás de ser sua testemunha para com
todos os homens do que tens visto e ouvido.” (At 22.15).
Prática
Todo aquele que teve um encontro
real com Cristo é chamado a testemunhar d’Ele com fidelidade, mesmo em meio à
oposição e ao sofrimento.
Atos 21.27,28,30,31,33,39,40;
22.1-7.
Atos 21.27 —
Quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o
no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele,
28 — clamando: Varões israelitas,
acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e
contra a lei, e contra este lugar [...].
30 — E alvoroçou-se toda a
cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para
fora do templo, e logo as portas se fecharam.
31 — E, procurando eles matá-lo,
chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em
confusão.
33 — Então, aproximando-se o
tribuno, o prendeu, e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era
e o que tinha feito.
39 — Mas Paulo lhe disse: Na
verdade, eu sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre
na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo.
40 — E, havendo-lho permitido,
Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande
silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo:
Atos 22. 1 —
Varões irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós.
2 — (E, quando ouviram falar-lhes
em língua hebraica, maior silêncio guardaram.) E disse:
3 — Quanto a mim, sou varão
judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel,
instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso para com Deus, como
todos vós hoje sois.
4 — Ora, persegui este Caminho
até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres,
5 — como também o sumo sacerdote
me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo, destes, cartas
para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles
que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.
6 — Ora, aconteceu que, indo eu
já de caminho e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me
rodeou uma grande luz do céu.
7 — E caí por terra e ouvi uma
voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
A) Objetivos da Lição:
I) Analisar a prisão de Paulo e
compreender a fidelidade em meio à oposição;
II) Interpretar a defesa do
apóstolo e reconhecer a sabedoria no testemunho público;
III) Aplicar o poder do
testemunho pessoal à vivência cristã cotidiana.
Etimologia:
Coragem
δυνατος - dunatos; adj. capaz,
forte, poderoso, potente - poderoso em riqueza e influência - forte na alma - suportar
calamidades e sofrimentos com coragem e paciência.
θαρρεω - tharrheo; v. ter muita
coragem, ser de bom ânimo; ser ousado
θαρσεω - tharseo; v. ter muita
coragem, ser de bom ânimo.
θαρσος – tarsos - semelhante (por
transp.) a thrasos (audácia); n. n. coragem, confiança.
ευσεβεια - eusebeia; n. f.
reverência, respeito; fidelidade a Deus, religiosidade.
πειρασμος - peirasmos; n. m. teste,
prova - tentação, prova: a tentação gerada nos gálatas pela condição física do
apóstolo, já que a mesma serviu para testar o amor dos gálatas por Paulo (Gl
4.14); tentação da fidelidade do homem, integridade, virtude, constância - sedução
ao pecado, tentação, seja originada pelos desejos ou pelas circunstâncias externas;
adversidade, aflição, aborrecimento: enviado por Deus e servindo para testar ou
provar o caráter, a fé, ou a santidade de alguém;) Deus sendo tentado (i.é.,
julgado) pelos homens
Exórdio:
Os inimigos da obra estão em
todos os lugares e mesmo quando foram a Jerusalém para atos de religiosidades,
apenas para cumprirem o que a Lei determinava não deixaram de ‘ranger’ os
dentes contra o Evangelho, em especial contra Paulo e ali encontraram apoio,
após calunias, para completar o plano de destruir e até matar o apóstolo Paulo.
Podemos
ver seis níveis de desenvolvimento da missão cristã, a saber:
1. Em
Jerusalém (até Atos 6:7).
2. Por
toda a Palestina (até Atos 9:31).
3. Em
Antioquia (até Atos 12:24).
4. Na
Àsia Menor e na Galácia (até Atos 16:5).
5. Até a
Europa (até Atos 19:20).
6. Até
Roma (até Atos 28:31). Os dois principais personagens dessas atividades são os
apóstolos Pedro e Paulo.
Aos que lerem este estudo podem
reler os anteriores onde esta atitude de vingança e ódio contra a Obra de Deus
personificada na presença do apóstolo Paulo é descrita em detalhes, nas
perseguições desde Ásia, inicialmente na cidade de Éfeso e nas cidades,
desde a Primeira viagem.
Seguindo os passos de Paulo desde
sua inicial missão. Vemos os locais onde ele esteve e onde por diversas vezes
foi insultado, ameaçado, sofreu prisões e ações, mas jamais se deixou levar por
estas dificuldades como impedimento da chamada, com coragem ímpar.
A importância da vida de Paulo e
Pedro é demonstrada no texto lucano quando estudamos o crescimento da Igreja
primitiva:
Os textos, abaixo, dão ideia do
que Paulo sempre encontrou em sua atuação missionária que proporcionou ao
Evangelho um incrível desenvolvimento da Obra do Caminho a Igreja primitiva.
Atos
13:14,15 - ACF “E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia, da
Pisídia, e, entrando na sinagoga, num dia de sábado, assentaram-se; [...]
Homens irmãos, se tendes alguma palavra de consolação para o povo, falai.”
Atos
13:44,45 - ACF “E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade
para ouvir a palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se
de inveja e contradiziam o que Paulo falava, contradizendo e blasfemando.
Atos
14:1,2 - ACF “E aconteceu que em Icônio entraram juntos na
sinagoga dos judeus, e falaram de tal modo que creu uma grande multidão,
não só de judeus, mas de gregos. Mas os judeus incrédulos incitaram e
irritaram, contra os irmãos, os ânimos dos gentios.”
Atos 14.6;19
– ARA “fugiram para Listra e Derbe; Sobrevieram, porém,
judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a
Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto.”
Paulo sofrera prisão desde o início
da sua primeira viagem, na realidade a perseguição contra Paulo era uma forma
de perseguição ao Evangelho, seja por incitação dos judeus, em suas sinagogas (local
da pregação da nova ‘seita’ – O Caminho), seja a incitação as autoridades
gentílicas locais, ou emulação pelo crescimento da ‘nova seita’ e sua forma de descartar
algumas tradições da Lei como, por exemplo, a circuncisão
- Atos
15:1 Então alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se
não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos. -
ou guarda de outros mandamentos da Nomia.
“Todo aquele que teve um encontro
real com Cristo é chamado a testemunhar d’Ele com fidelidade, mesmo em meio à
oposição e ao sofrimento.”
E caí por terra e ouvi uma voz
que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
- Antioquia da Psídia
Lucas narra a sequência de
incitações contra Paulo e os seus missionários por parte dos judeus, desde A
Antioquia da Psídia, como uma forma de sequenciar o avanço do Evangelho
pela equipa de Paulo e Barnabé, naquela cidade e posteriormente sequenciar ao
longo de Atos dos Apóstolos a constante e notória perseguição, que contudo foi
absorvida por Paulo com coragem de que teve a Chamada pelo próprio Jesus.
- Listra – Atos 19.6 “fugiram
para Listra e Derbe”
- Paulo é apedrejado
Na
primeira das três visitas de Paulo a Listra, e sua estadia na cidade foi
repleta de acontecimentos! Judeus agitadores chegaram de Antioquia e Icônio,
a multidão deixou-se instigar por esses agitadores e apedrejou Paulo; O texto
não diz se Paulo estava morto. Esse foi o único apedrejamento que o apóstolo
sofreu (2 Co 11:25).
Atos
14.19 – ARA “Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio
e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora
da cidade, dando-o por morto.”
Antioquia
- Atos 14.24 ARA “Atravessando a Pisídia, dirigiram-se a Panfília. E,
tendo anunciado a palavra em Perge, desceram a Atália e dali navegaram para
Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam
já cumprido. Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas
fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.”
Atos 15.36;40,41
– ARA “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé:
Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais
anunciamos a palavra do Senhor [...], Mas Paulo, ... , partiu ... E passou
pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas.”
Impedidos
de ir para Bitínia, quando estavam na região frígio-gálata, defronte a Mísia!
Troade –
A visão da Macedônia – Atos 16.8,9 E, tendo contornado Mísia,
desceram a Trôade. À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um
varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e
ajuda-nos.
- Perseguidos e açoitados e
presos em Filipos - Atos 16:18b-20
- Perseguição em Tessalônica: Atos
17:1-5
- Bereia - Atos 17:10,11a -
ACF alívio na perseguição - Bereia recebeu o Evangelho com alegria – “E
logo os irmãos enviaram de noite Paulo
e Silas a Bereia”
- Paulo em Atenas, no Areópago: Atos
17:22,23 - ACF
Sem
medo dos filósofos
- Em Corinto Atos
18:1 - ACF E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto.
Orientado por Jesus e encorajado – Atos 18:9,10
Coragem
faz o pregador trabalhar sozinho na Obra do Evangelho - Neste interim Paulo se
dedicou com ênfase a pregação do Evangelho, como vemos em Atos 18.5.
“Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente
à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus.” Apoiador de
Paulo Sóstenes, o principal da sinagoga foi espancado diante do procônsul Gálio
(Atos 18.17).
Voltando a Antioquia pela
segunda vez após final da segunda viagem- Atos 18.19,22 – “chegando a Cesareia,
desembarcou, subindo a Jerusalém; e, tendo saudado a igreja, desceu para
Antioquia”
Paulo em Éfeso: Atos 19:1 – ARA Perseguição em Éfeso por causa de conversões e redução de adeptos da deusa Diana.
- Macedônia: Atos 20. 1 Cessado
o tumulto, Paulo mandou chamar os discípulos, e, tendo-os confortado,
despediu-se, e partiu para a Macedônia.
Visita final de Paulo à Macedonia
e à Acaia - Atos 20:1-4
- Paulo em Trôade: Atos 20.
13,16 - A direção era Jerusalém – Atos 20. Paulo embarca em Assôs.
- Paulo chega a Mileto: - Porque
Paulo já havia determinado não aportar em Éfeso, não querendo demorar-se na
Ásia, porquanto se apressava com o intuito de passar o dia de Pentecostes em
Jerusalém, Paulo mostra a coragem que tinha pela chamada e direção do Espírito
Santo, o conduziam acima de qualquer resistência, tentação, acoites ou prisões.
- Atos 20. 22,24
E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém
- Paulo chega a Tiro: Atos 21. 1,6
- Paulo em Cesareia: Atos
21.7,16 “Quanto a nós, concluindo a viagem de Tiro” – Ágabo: “...
tomando o cinto de Paulo, ligando com ele os próprios pés e mãos, declarou:
Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste
cinto e o entregarão nas mãos dos gentios. Quando ouvimos estas palavras,
tanto nós como os daquele lugar, rogamos a Paulo que não subisse a Jerusalém.”
- Paulo chega a Jerusalém: Atos
21.27
— “Quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia,
vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele,”
Avanço de Antioquia a
Roma; Três viagens missionárias de Paulo. (Atos 13:1-28:31)
1. Primeira
viagem missionária; Barnabé e Paulo vão aos gentios:
Atos
13:1-14:29. Missão a Chipre (13:4-12). Missão à Galácia (13:13-14:28). Missão
de Pafos a Perge (13:13). Missão a Antioquia da Pisídia (13:14-52). Missão a
Icônio e Listra (14:1-18). Missão a Icônio (14:1 — 7). Missão a Listra
(14:8-18). Retomo a Antioquia da Síria (14:19-28).
2.
Controvérsias acerca do Legalismo- 15:1-41
a.
Dificuldades em Antioquia a Jerusalém- 15:1-5
b. O
concilio de Jerusalém- 15:6-29
c. Paulo
e Barnabé em Antioquia- 15:30-41
3. Segunda
viagem missionária; Paulo vai à Europa- 16:1-18:17: Galácia e Ásia Menor
(16:1-10). Timóteo e Paulo (16:1-5). Missão a Trôade (16:6-10). Trabalho na Macedônia
(16:11*17:15). Em Filipos (16:11-50). Em Tessalônica (17:1-9). Em Beréia
(17:10-15). Na Acaia (17:16-18:17). Esta última fase incluiu Atenas e Corinto.
4. Terceira
viagem missionária; Paulo vai à Ásia Menor- 18:18-19:41
Viagem de
confirmação das igrejas (18:18-23). Apoio (18:24-28).
Paulo em
Éfeso (19:1-41). Retomo à Ásia Menor (19:1-12). Paulo e os exorcistas
(19:13-20). Planos de Paulo sobre o futuro (19:21,22).
O levante
em Éfeso (19:23-41).
5. Visita
final de Paulo à Macedônia e à Acaia- 20:1-4
6. Paulo
vai a Jerusalém-20:1-6. De Filipos a Mileto (20:5-16).
Defesa de
Paulo ante os anciãos de Éfeso (20:17-38). De Mileto a Cesaréia (21:1*14).
Paulo com a igreja de Jerusalém (21:15-26).
Acontecimentos em Jerusalém:
A reunião
com Tiago: Importante notar que a reunião de Paulo após sua chegada Jerusalém
fora com a liderança, notadamente com Tiago, o irmão do Senhor - Atos
21.17,22.
– “No
dia seguinte, Paulo foi conosco encontrar-se com Tiago, e todos os presbíteros
se reuniram” – com a alta direção, contando com o líder Tiago, irmão de
Jesus (o que mostra a importância deste, em detrimento de Pedro, considerado
por outra igrejas como primeiro ‘papa’ ou líder da Igreja) que o alertam
sobre a novas e calunias dos judaico-cristãos, que se espalhara
entre a igreja local sobre o comportamento de Paulo quanto a não necessidade de
realizar ritos da lei mosaica para obtenção da salvação e da Igreja de Cristo.
Posição difícil colocada diante do apóstolo, mas que Paulo absorveu ao invés de
contradizer.
Aqui neste texto abaixo, estava o
que eu considero o cerne da questão para que os judaizantes se achassem no
direito de atacar Paulo. Muito embora, apoiados também numa possível violação
do Templo pois com Paulo estavam homens sem voto ou não purificados, segundo os
ritos para dentar no templo.
Atos 13.39
“E de tudo o que pela lei de Moisés não pudestes ser justificados, neste é
justificado todo aquele que crê.”
Certamente conhecedores da
Doutrina que Paulo defendia desde sua primeira viagem missionária em Antioquia,
que a salvação não fora possível pela lei, mas Cristo é a solução para salvação
dos homens, inclusive dos judeus!
Atos 21.17,22 Tendo
nós chegado a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria. - . E,
tendo-os saudado, contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por
seu ministério. Ouvindo-o, deram eles glória a Deus e lhe disseram: Bem
vês, irmão, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos
são zelosos da lei; e foram informados a teu respeito que
ensinas todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés,
dizendo-lhes que não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo os
costumes da lei. Que se há de fazer, pois? Certamente saberão da
tua chegada.
O Aviso:
- Bem vês, irmão,
quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos são
zelosos da lei -
Os da liderança já avisam a Paulo
sobre o comportamento da Igreja local, que dava certa aparência judaica ao
Cristianismo, com a manutenção de ritos da lei, mesmo aceitando a doutrina da
salvação em Jesus, porem ainda mantendo os ritos judaicos, pois entendiam, ali
em Jerusalém (destarte o Concílio que definiu a doutrina basilar da Igreja –
Atos 15), em realizar purificação ou circuncisão e atos no Templo.
A calunia se espalhara:
“..., foram informados a
teu respeito que ensinas todos os judeus entre os gentios a apostatarem de
Moisés, dizendo-lhes que não devem circuncidar os filhos, nem
andar segundo os costumes da lei. Que se há de fazer, pois?
Certamente saberão da tua chegada.
Tal palavra era uma advertência
ou um conselho?
[...] Faze, portanto, o que te
vamos dizer: estão entre nós quatro homens que, voluntariamente, aceitaram voto; toma-os,
purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que raspem a cabeça;”
Uma palavra de coerência
É evidente que Paulo estava bem
alicerçado em suas apreensões sobre as dificuldades que encontraria em
Jerusalém, e que vinha prevendo desde quando ainda estava em Corinto (ver Rom.
15:25), quando solicitou as orações dos crentes romanos (ver os vss. 30-32). E
as repetidas advertências, recebidas ao longo do caminho, ficaram amplamente
justificadas». (Robertson, in loc.).
Atos
21. 23,26 Faze, portanto, o que te vamos dizer: estão
entre nós quatro homens que, voluntariamente, aceitaram voto; toma-os,
purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que raspem a cabeça;
e saberão todos que não é verdade o que se diz a teu respeito; e que, pelo
contrário, andas também, tu mesmo, guardando a lei. Quanto aos
gentios que creram, já lhes transmitimos decisões para que se abstenham
das coisas sacrificadas a ídolos, do sangue, da carne de animais sufocados e
das relações sexuais ilícitas. Então, Paulo, tomando aqueles homens, no
dia seguinte, tendo-se purificado com eles, entrou no templo, acertando o
cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferta em favor de
cada um deles.
A chegada de Paulo em Jerusalém
foi motivo de alegria entre os da liderança, - Jerusalém, os irmãos nos
receberam com alegria. - mas
também motivo de interrogações - segundo os costumes da lei. Que
se há de fazer, pois? - sobre o que eu lhe aconteceria ali, pela forma que
pregava o evangelho, entre gentios e judeus e seus ensinos.
Os líderes sugeriram que Paulo
demonstrasse publicamente sua reverência pela Lei judaica. Paulo aceita
realizar atos de purificação sabendo que somente com o tempo as doutrinas
seriam absorvidas pelo povo da igreja local “pela qual os judaico-cristãos
poderiam aprender gradualmente em suas próprias visitas ao templo que o
Apóstolo contra quem tinham ouvido tais relatos estava lá ele mesmo
participando da observância dos costumes mosaicos.” [Lumby]
Voto. Εὐχή é
usada por Filo para voto de Nazireu em De ebrietate 1.2, p. 357 M, οὗτοι μὲν οὖν εἰσιν οἱ τὴν μεγάλην
εὐχὴν εὐξάμενοι. ἀφ’ ἑαυτῶν
significa “por conta própria”, ἐφ’ ἑαυτῶν
significa “em si mesmos”. Geralmente se supõe que este era um voto de Nazireu. Fonte:
Apologeta
O que Paulo fez como obrigação
para purificação e voto de nazireado dos quatro que com ele chagaram a
Jerusalém:
Destaque:- “a Lei
previa um voto temporário de Nazireu, que implicava viver a vida de um Nazireu
por um certo período e, no final, oferecer extensos sacrifícios. Parece que,
com a alusão aos sete dias em verso 27, a situação era que os quatro homens que
fizeram um voto devem ter se contaminado e estavam ansiosos para se purificar.
Paulo pagaria as despesas dos oito pombos e quatro cordeiros necessários. Ao se
associar proeminentemente às ações cerimoniais dos judeus piedosos, ele
provaria que não estava ensinando os judeus a abandonar os costumes. Os quatro,
portanto, rasparam suas cabeças e foram com Paulo anunciar a data em que sua
purificação seria concluída e os sacrifícios oferecidos.
“Os líderes sugeriram que Paulo
demonstrasse publicamente sua reverência pela Lei judaica. Pediram apenas que
acompanhasse quatro homens que realizavam um voto nazireu (Nm 6), pagasse pelo
sacrifício deles e que os acompanhasse ao templo, quando fossem purificar-se, e
Paulo concordou com o pedido.”
Caso tivesse se tratado de uma
questão envolvendo a salvação de alguém, podemos estar certos de que o apóstolo
jamais teria cooperado, pois tal atitude representaria uma concessão em sua
mensagem da salvação pela graça e por meio da fé. Mas o voto referia-se à
devoção pessoal de cristãos judeus que haviam recebido a liberdade de aceitar
ou de rejeitar os costumes judaicos.
Paulo comunicou ao sacerdote no
dia seguinte e participou da cerimônia de purificação, mas ele mesmo não
tomou nenhum voto. Ele e os homens precisavam esperar sete dias e, então,
oferecer os sacrifícios prescritos.
A situação – circuncidar ou fazer
votos a algum de seus auxiliares – não era nova para Paulo, basta ler: Atos
16.3 “A este Paulo quis que fosse com ele; e tomando-o,
circuncidou-o, por causa dos judeus, que estavam naqueles lugares;
porque todos conheciam o pai dele, que era grego.”
Atos 21.27 —
Quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o
no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele,
Os judaizantes eram
poderosos em Jerusalém, e toda a impressão que fica, é que haviam
dominado a vida da igreja ali. A despeito das determinações, conforme o
registro em Atos 15 decidido em Concílio apostólico.
Para os judeus cristãos (judaizantes),
Paulo havia traído a Moisés; e eles simplesmente não podiam imaginar um Cristo
e uma fé religiosa que não estivessem alicerçados pesadamente sobre os
princípios dados na Lei por Moisés.
Alguns judeus da Ásia
viram Paulo no templo e devem ter concluído, que ele havia profanado os
recintos sagrados levando gentios para dentro do templo. É bem provável que
esses judeus fossem de Éfeso, pois reconheceram Trófimo, um amigo de
Paulo originário de Éfeso.
‘Também
não se ouve que os cristãos (aqui incluo as lideranças) de Jerusalém,
posteriormente, tenham apresentado ao menos uma palavra em seu favor, quer
perante as autoridades judaicas quer perante as autoridades romanas, ou que
tenham expressado qualquer simpatia por ele, durante o seu longo aprisionamento
em Cesaréia’. (Fumeaux, in loc. Compilado e editado).
‘Nessa
narrativa sem dúvida alguma ele fez alusão aos esforços constantes do partido
dos judaizantes por reduzir a Igreja de Cristo a uma mera seita judaica, contra
a qual, vez por outra, ele teve de combater e contrabalançar’. (Brown, in
loc.).
A Audiência:
Confirmando a chamada.
Atos 9.15 “Mas o
Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido
para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel;
16pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.”
Ao ser levado pela turba as
autoridades Paulo estava sendo confirmado pela palavra da visão no Caminho
de Damasco que revelara a ele o quanto e o que sofreria e diante de quem,
no casos reis, autoridades ele seria exposto, acho que ao narra sua experiencia
ele se lembrou imediatamente do seu encontro com Jesus no Caminho da Damasco o
que criou em si, a coragem para expor sua vida inclusive sobre chamada
para evangelizar os gentios, ponto pelo qual indireta ou diretamente estava
sendo acusado de profanação da lei e de pregar contra a Nomia mosaica.
Certamente Paulo se lembrou o que
Deus lhe falara através de Ananias
- “Um
homem, chamado Ananias, piedoso conforme a lei, tendo bom testemunho de todos
os judeus que ali moravam, veio procurar-me e, pondo-se junto a mim,
disse: [...]Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do
que tens visto e ouvido.” (At 22.12,13;15).
Atos 21. 33 — Então,
aproximando-se o tribuno, o prendeu, e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou
quem era e o que tinha feito.
39 — Mas Paulo lhe disse: Na
verdade, eu sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre
na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo.
- ‘um
homem judeu, cidadão de Tarso [- civitais Romanae (cidadão romano), o
cidadão era registrado em Roma, e ele era relacionado como cidadão no
respectivo registro municipal -], cidade não pouco célebre na Cilícia’ – Tarso
(Tarsus) era uma civitas libera (cidade livre) no Império Romano, o
que significava que gozava de autonomia interna, leis próprias e isenção de
alguns tributos imperiais, sem, contudo, perder sua subordinação à província da
Cilícia. A cidade de Tarso, por anterior ajuda ao império romano, o local de
seu nascimento, recebeu de Roma, o direito de que todos seus cidadãos ali
nascidos recebessem o título de cidadãos romano.
Atos 21:34: E na
multidão uns gritavam de um modo, outros de outro; mas, não podendo por causa
do alvoroço saber a verdade, mandou conduzi-lo a fortaleza.
Paulo foi arrastado
violentamente, conforme e a tradução literal do termo aqui usado no original
grego, para fora do templo, já que rapidamente se improvisara um grupo de
linchadores, os quais estavam a pique de começar a espancar ao apostolo até a
morte.
A audiência após a prisão de
Paulo mostra que a coragem do apóstolo foi notória, certo de sua chamada e da
defesa do Evangelho sem ritos mosaicos ele se defendeu como um tribuno diante
das suas prerrogativas legais, e das suas convicções cristãs e doutrinarias que
ele desde o inicio de sua jornada cristã defendera e foi a voz desta salvação
pela Graça.
"Vai,
porque eu te enviarei para longe, aos gentios" (At 22:21).
“O Senhor instruiu Paulo a deixar Jerusalém,
pois o povo de lá não aceitaria seu testemunho. Ao obedecer a essa ordem, Paulo
havia salvado sua própria vida, pois os judeus helenistas haviam feito planos
para matá-lo (At 9:29, 30). [...] A ordem do Senhor foi: "Vai, porque eu te
enviarei para longe, aos gentios" (At 22:21).
Paulo sem medo e de forma
corajosa mostra que seu ministério era para com os gentios, estas palavras causaram
o maior alvoroço a turba, que agora o acusa de profanação do Templo.
“O
judeu verdadeiramente devoto não aceitava coisa alguma relacionada aos gentios!
Se Paulo
não houvesse proferido essa palavra, talvez tivesse sido libertado em seguida,
e é possível que ele soubesse disso. Todavia, deveria permanecer fiel a seu
testemunho a qualquer custo. Paulo preferia ser um prisioneiro a abrir mão de
sua responsabilidade para com as almas perdidas e com as missões!”
Paulo estava prestes a explicar
por que se envolvera com os gentios, mas os judeus (consideravam-no um
grande traidor da fé mosaica, um blasfemo contra o judaísmo, um elemento
herético como jamais tinham visto igual. Assim, pois, os riscos que Paulo
corria em Jerusalém eram grandes, mas o seu senso de dever foi mais forte que o
seu senso de perigo) no pátio do Templo não permitiram que
prosseguisse.
A prisão de Paulo foi permitida
pelos romanos, que mantinham costumes dos vencidos e religiosidade local, o que
nos mostra que o Sinédrio tinha autoridade para execuções e justiça no âmbito
de seus costumes religiosos ou culturais, como a execução, penalidades e
justiciamento, naqueles dias de Paulo.
"O
segredo do governo romano era o princípio do controle indireto". Isso
significava que a verdadeira responsabilidade administrativa recaía sobre os
ombros das autoridades locais.” Arnold Toynbee
Os romanos concederam aos líderes
religiosos judeus a autoridade de tratar de qualquer um que transgredisse essa
lei, dando-lhes, inclusive, o direito de realizar execuções. Essa
lei tem papel importante no que sucedeu a Paulo uma semana depois que ele e os
quatro nazireus começaram suas cerimônias de purificação.
A defesa de Paulo após sua
prisão:
O que me chama atenção é que
Paulo usou dos direitos de cidadania que tinha, nos ensinando que mesmo em caso
de sofrermos ataques por causa de nossa vida como cristãos, no podemos deixar
de usar dos direitos legais que temos como cidadãos livres e inocentes, sob
acusações quanto a nossa fé e crença!
A cidadania de Paulo foi
estratégica para que tivesse autorização para testemunhar acerca da sua
conversão, bem como da verdade do Evangelho. ‘Deus utiliza dos conhecimentos e
patentes humanas para propagar Sua mensagem da salvação a lugares onde o
Evangelho é rechaçado, e os crentes são estigmatizados como extremistas ou
fanáticos religiosos. Mas nada há o que dizer quando o testemunho cristão diz
muito mais do que palavras.’ Estudantes da Bíblia
O testemunho público:
Atos 22. 1,2 —
Varões irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós. — (E, quando
ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram.) E
disse:
Atos 21:34: E na
multidão uns gritavam de um modo, outros de outro; mas, não podendo por causa
do alvoroço saber a verdade, mandou conduzi-lo a fortaleza.
Atos 21:31: E,
procurando eles matá-lo, chegou ao comandante da coorte o aviso de que
Jerusalém estava toda em confusão:
“...comandante da força...”, no
original grego e “chiliarch”, ou seja, “oficial de mil”. Era o
principal oficial da “coorte”, que
consistia em setecentos e sessenta soldados de infantaria e duzentos e quarenta
cavaleiros, embora 0 número diferisse de conformidade com as circunstâncias.
Não se há de duvidar que essa forca armada estava aquartelada (ver o trigésimo
quarto versículo) na Torre de Antônia. Champlin, pag.466
O discurso de Paulo nos degraus
da torre Antônia (fortaleza d’Antonia), conforme relatado pelo escritor dos
‘Atos dos Apóstolos’.
Paulo sábio e letrado e falando
diversas línguas despertou o interesse e espanto de quem o prendera, ao falar
em grego, agora para sua defesa ele usa a língua pátria, o hebraico (falado
após a volta babilônica) o que causou comoção inicial na plateia ávida pela sua
prisão, ao ouvi-lo falar na sua língua.
A defesa de Paulo pode ser
dividida em partes, conforme o objetivo do mesmo, usando uma reflexão de Schaff:
Mostrar a sua
identidade como judeu nascido judeu, mesmo que tenha nascido em Tarso - Atos
22:3-8 trata de sua infância e esboça grosseiramente sua história
Atos 22. 6,7
— Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho e chegando perto de Damasco, quase
ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. — E caí por terra e
ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
Mostrar como se
deu sua conversão, o que era importante para os da igreja, que ali o acusavam
de mudar o uso da lei, como judaico-cristãos - Atos 22:9-16 Visão e a
Voz Celestiais mudaram toda a corrente de sua existência; relata em detalhes o
que aconteceu nos dias imediatamente seguintes a esta Visão Divina
Mostrar como a
sua vida transcorreu mesmo após sua conversão de maneira natural como um judeu,
mesmo convertido
Testemunho
público - Atos 22:17-21 segue a história de sua
vida desde os dias que se seguiram à Visão Celestial na estrada de Damasco;
além de detalhar a segunda visão da Voz Divina falando com ele no Templo – “estando
orando no Templo” - (apresenta, uma defesa que como judeu, nunca se
afastara do Templo como lugar de culto e no Templo ele ouviu a Voz de Deus, o
que mostra a importância que ele tinha com o lugar), que lhe mostrou como
seria sua vida e até mesmo quanto a esta sua prisão de agora – “Apressa-te,
e sai logo de Jerusalém, porque não aceitarão teu testemunho sobre mim”
- e lhe assegurou qual era o objetivo de sua vida - “Vai, porque eu te
enviarei para longe, aos gentios”.
Fonte:
Citações no corpo do texto
Dicionário Strong
Estudantes da Bíblia
Apontamentos do autor
Champlin NT V3
Comentário Bíblico Expositivo - Warren
W. Wiersbe


