terça-feira, setembro 8

COMENTÁRIO SUSCINTO DO TEMA 4 TRIMESTRE 2026 – O Deus da Aliança — Advertências, promessas e bênçãos no livro de Deuteronômio - PRIMEIRA PARTE.

COMENTÁRIO SUSCINTO DO TEMA 4 TRIMESTRE 2026 – PRIMEIRA PARTE. 

O Deus da Aliança — Advertências, promessas e bênçãos no livro de Deuteronômio

Comentarista: Osiel Gomes


Introdução:

Nasceu o desejo de estudar o livro bíblico citado na temática do próximo trimestre – 4º 2026 – assim, estaremos (conforme nossas forças) dando subsídios para os que vão estudar as Lições deste próximo trimestre.

Deus nos abençoe nesta jornada, sendo que o estudo deve ser lido como uma apresentação básica, não final, ou exaustiva, sobre Deuteronômio, pois o livro é profundo e contém várias camadas, que remetem a Doutrinas bíblicas, como por exemplo a Doutrina da Salvação [A Heilsgeschichte  (História da Salvação ou História Sagrada) inspira-se em Deuteronômio 26:5-11, que é considerado um credo histórico da salvação].

Apresentação:

O livro de Deuteronômio foi escrito por Moisés, ao povo de Israel, durante a estada antes da entrada ou passagem do Rio Jordão, como veremos ao longo dos estudos sistemáticos sobre o Livro.

Deuteronômio contém três sermões (ou discursos principais) proferidos por Moisés ao povo de Israel na planície de Moabe, pouco antes de sua morte e da entrada do povo na Terra Prometida.

O contexto do livro de Deuteronômio

O livro de Deuteronômio pertence ao Pentateuco – πεντάτευχος – (lê-se: pentateucos) – que vem de: πέντε (lê-se: pente – que significa: cinco) mais τεχος (lê-se: teucos – que significa: pergaminho, livro). Isso é a mesma coisa que dizer que o livro de Deuteronômio pertence a Torá - תּוֹרָה – (lê-se: torá), que significa: lei, ensino, instrução. Ele forma o Pentateuco ou a Torá juntamente com: Gênesis, Êxodo, Levítico, Número.

Os Três Sermões de Moisés

É uma divisão aceita teologicamente pelos estudiosos da bibliografia bíblica veterotestamentária.

Yahweh, nosso Deus.

O Senhor nosso Deus é um Senhor.

O Senhor nosso Deus, o Senhor é um só.

O Senhor é nosso Deus, o Senhor é um.

O Senhor é nosso Deus, somente o Senhor.

O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.

O Mitte do Livro é Um Único Deus, confirmando nesta segunda entrega da Lei o tema de Êxodo 20,2-3: “Eu sou Javé teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim”.:

“Shemá Israel”, afirmação definitiva da identidade do povo de Israel – 6,4: “Escute, Israel! Javé é o nosso Deus, Javé é um. Portanto, ame a Javé, o seu Deus, com todo o coração, com toda a sua alma e com todas as forças”.

Primeiro Sermão – 1,1 a 4,43 – Recapitula os quarenta anos vagando pelo deserto que culminaram naquele momento e termina com uma exortação para que se observe a Lei Mosaica.

Segundo Sermão – 4,44 a 29,1 – Relembra os israelitas da necessidade do monoteísmo e da observância das Leis que Deus entregou a Moisés no Sinai da qual depende a posse da terra que irão conquistar.

Terceiro Sermão – 29,2 a 30,20 – Oferece o consolo de que, mesmo que Israel se mostre infiel – e, por isso, perca a terra prometida por Javé – com o arrependimento, tudo poderá ser restaurado.

Israel recebera a Lei, no Monte Sinai, como um guia completo de orientação na vida, agora a recebe pela segunda vez, para nunca mais ser reformada.

A dimensão crono da caminhada no livro:

No primeiro sermão Moisés destaca a jornada desde Egito, A Caminhada, destacando locais e cidades de passagem no roteiro divinamente autorizado, pela presença da Nuvem e da Coluna de fogo, com vitórias, conquistas e mesmo desvios do povo na jornada, o que valida a segunda edição da lei, como um memorial a direcional do povo, após a sua morte, como ele recebera a negativa de entrada em Canaã, por isto Moises que fora o libertador e guia do povo de Israel quer assegurar que o povo tenha a lei como base de sua jornada final e sua lei teocrática e monoteísta como Deus

A dimensão temporal indica que foram quarenta anos de jornadas pelo deserto, decorrentes dos quarenta dias em que os espiões percorreram a terra de Canaã, até o florescimento de uma nova geração (Nm 14: 34-5).

Quarenta possui uma simbologia especial e recorrente na Escritura Hebraica, e um dos seus significados é o período de uma geração (Nm 32: 13).

Divisão e formato:

Origem do nome:

O Pentateuco forma um rolo ou volume dividido em seções maiores e menores chamadas parshioth sedarim

O quinto e último desses livros foi chamado pelos gregos Deuteronômio, ou seja, a segunda lei, daí o nosso nome Deuteronômio – deutonomia -, ou uma segunda lei ou declaração das leis já promulgadas. Os judeus designaram o livro pelas duas primeiras palavras hebraicas que ocorrem, Elleh haddabharim, ou seja, “Estas são as palavras”, ou Elleh haddevarim, “Estas são as palavras”, ou simplesmente Devarim, “Palavras”. Eles dividiram em onze parshioth.

O livro de Deuteronômio numa Bíblia em português, contém trinta e quatro (34) capítulos. A sua descoberta teria ocorrido nos tempos do reinado de Josias.

O Título

1. No hebraico, língua original em que este livro foi escrito, o título é: Estas são as Palavras – הַדְּבָרִ֗ים אֵ֣לֶּה - (lê-se: Eler radevarim).

2. No grego, ou LXX, o título é: Segunda Lei. – Δευτερονομιον - (lê-se: deuteronomion)

3. O título em Português: Deuteronômio, vem do latim – Liber Deuteronomium - o qual, por sua vez, vem do Grego.

4. Deuteronômio significa, literalmente, segunda lei, mas neste livro nós não temos uma segunda lei, apenas a repetição daquilo que já havíamos visto em Êxodo 20 (Comparar com Deuteronômio 5).

Destaque por causa do conteúdo.

Deuteronômio 5:1-22 e Êxodo 20:1-17 – Os Dez Mandamentos.

Da autoria:

Há divergências quanto a autoria, mas nós propugnamos com a área da Teologia, que aceita que a autoria seja de Moisés, usando a ideia e concordâncias com os escritores do NT que atribuíram a autoria do Pentateuco a Moisés. Sabendo, contudo, assim como aconteceu com alguns livros do NT, caso de João, há trechos finais do livro, capítulos 31 a 34 (como a narrativa da morte de Moisés) que foram inseridos por algum concluinte do texto mosaico, que alguns sugerem ter sido Eleazar e Josué.

Destaque: os estudiosos das Escrituras Veterotestamentárias, indicam que o livro foi dado, a Moisés, em um mês!

Assim, conservadoramente aceitamos e entendemos que há reivindicações no próprio livro, a saber:

-Deu. 31.9-13 e 31.24,26. Deu. 31.9 diz: Esta lei escreveu-a Moisés e a deu aos sacerdotes..., e 31.24,26 diz: Tendo Moisés acabado de escrever integralmente as palavras desta lei num livro.... Moisés deu ordem aos levitas, que elevavam a arca da Aliança: “Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do Senhor vosso Deus, para que ali esteja como testemunha contra ti.”

Este texto está em concordância com Deuteronômio 31:9 – ACFE Moisés escreveu esta lei, e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca da aliança do Senhor, e a todos os anciãos de Israel.”

A visão do autor combina plenamente com a visão de transição de uma vida nômade, após 40 anos no deserto em peregrinação, para a vida em um local fixo, e com convivência com outros povos que serviam a outros deuses. Assim, Deuteronômio representa Moisés dando uma nova interpretação da lei (para a vida em Canaã).

A Bíblia não tem nenhuma ideia de revelar a autoria dos livros, mas as concordâncias, em si mesmo, na didática forma de “a Bíblia explica a ela mesma” encontramos importantes informações concordantes que dão informações sobre a sua autoria, como provas internas (Veterotestamentárias), ou provas externas (Neotestamentárias):

2. Provas externas:

2.1. Os escritores do Antigo Testamento atribuíram a Moisés a autoria deste livro (Josué 1:7; Juízes 3:4; I Reis 2:3 etc).

2.2. Jesus citou Moisés como o autor da Lei, isto é, da Torah, do Pentateuco (Marcos 7:10). Mt. 19.8 indica a posição de Cristo especificamente em relação ao livro de Deuteronômio

2.3. No Novo Testamento várias vezes Moisés é apresentado como o autor do Pentateuco (Lucas 20:28; Atos 3:22; Romanos 10:19).

2.4. Provas internas: Há cerca de 40 indicações dentro do livro de Deuteronômio que apontam para a autoria de Moisés (1:1-5; 4:44; 29:1-2; etc).

Data

1. Este livro surgiu 40 anos depois da saída do Egito (Deuteronômio 1:3), claro que primeiro ele surge em forma oral, e só muito mais tarde em forma escrita.

Abreviações – Deu. ou Dt.

Divisão do livro:

Primeiro Sermão (Capítulos 1:1 a 4:43):

O livro, como é comum em outros livros do Antigo Testamento, inicia-se com o texto do primeiro versículo do primeiro capítulo onde se identifica o próprio nome do livro:

- Deuteronômio 1:1a “Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel…”

Como literatura doutrinária o livro de Deuteronômio soa como a entrega de um sermão ou uma série de três sermões, pregados por Moisés a Israel, e pregados com um coração pesado e zeloso.

Com o coração de Moisés pesado porque ele sabia que não entraria na Terra Prometida de Canaã com Israel. Sua desobediência a Deus em Meribá (Números 20:1-13) significava que ele não veria o final do Êxodo de Israel até entrar na Canaã, tão almejada.

Deuteronômio mostra um Moisés zeloso pois, ao longo da trajetória até ali, ele constatara e sabia que se a nova geração nascida no deserto (que era uma geração de fé, diferente da geração que pereceu no deserto) não obedecesse à Lei de Deus,  seria objeto e alvo da desobediência á aliança de Deus, o que os levaria a serem atingidos pela maldição da desobediência á Lei, como ocorrera com parte ou até mesmo levara ao impedimento de entrar na Canaã, a geração que saíra do Egito.

Assim, o SENHOR através de um Moisés apaixonado em Deuteronômio, concita o povo a obediência, cerne ou mitte do livro de Deuteronômio, suplicando para que Israel escolhesse a vida! (Deuteronômio 30:19)

Deuteronômio é, um livro de repetição e um livro de preparação e de doutrina a Obediência aos preceitos divinos.

O Cenário Escolhido.

Se se está no Egito, o deserto é onde se chega ao cruzar o Mar Vermelho; se se está na terra de Israel, o deserto é onde se chega ao cruzar o Jordão.” Manu Marcus Hubner (USP)- AS JORNADAS DOS ISRAELITAS PELO DESERTO pag. 281

O texto após o versículo 1, passa a contar a história de Israel, traçando a rota palmilhada até ali, e importa dar nomes e o local onde Moisés inicia esta narrativa, com nomes e com datas.

Deuteronômio 1:1b-3 – ACF “…além do Jordão, no deserto, na planície defronte do Mar Vermelho, entre Parã e Tôfel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe.

Onze jornadas há desde Horebe, caminho do monte Seir, até Cades-Barneia. E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme a tudo o que o Senhor lhe mandara acerca deles.

Moisés destaca dentre as cada um dos quarenta e dois acampamentos, ou estações, por onde passaram os filhos de Israel durante este período de quarenta anos no deserto. É interessante notar que Deus marca locais e datas para estas narrativas bíblicas e Moises, vai dar posição e datas segundo o calendário que desde o livro do Êxodo Deus determinara as datas e locais de eventos para marcar a vida da futura nação e quando deveriam se lembra para festas e adoração a Javé, bem como as divisas que seriam demarcações do povo hebreu.

O trajeto se deu pelo deserto, após Deus informar que o povo não deveria pelo caminho normal, “para que não veja a guerra”:

Assim o deserto lugar inóspito se transformou em rota viável a Israel e sob a condução de Moisés se tornou o lugar de Javé ser fiel condutor do povo e mostrar seu imenso poder, com sinais e maravilhas, que Moisés detalha no início do livro.

E o cenário escolhido para esta transformação foi o deserto.O grande evento das peregrinações dos israelitas no deserto nesta época é o encontro com Deus no Sinai, encontro este de grande importância para a história da humanidade.

O período de caminhadas configurou a relação entre o povo de Israel e o deserto. Segundo a visão de alguns profetas, as peregrinações no deserto tornaram possível a aproximação entre Deus e Israel

                   - O período de jornadas dos israelitas pelo deserto foi decisivo para a transformação de um amontoado de escravos em um povo com um propósito.

Mazar (1982: vol. 4, 673-676) identifica vários nomes para o deserto nas escrituras:

מדבר - (midbar, nome mais comum, 102 ocorrências no Pentateuco) O nome midbar ( מדבר ), segundo Mazar, significa um lugar que não é próprio para ser habitado, como também território de pasto.

שממה - (šmamah, Is 64: 9; Jr 12:10)

- _ ישימו (yešimon, Dt 32: 10; Sl 78:40)

ציה - (tṣiyah, Isaías 41: 18; Os 2: 5)

- _ ציו (tsiyown, Is 25: 5, 32: 2).

Para Hirsch (2002), yešimon e šmamah são sinônimos de desolação, enquanto yah implica falta de água.

Para Alter e Kermode (1997: 626-9), o “deserto” da Bíblia Hebraica, em língua inglesa, corresponde a diversos termos hebraicos diferentes, mas é chamado em grego de ‘ερημος - eremos’.

Torah:     

Israel recebera a Lei, como um guia completo de orientação na vida, agora a recebe pela segunda vez, para nunca mais ser reformada. O termo hebraico correspondente é Torah, que significa “instrução”.

Se nos três primeiros capítulos Moises reforça a trajetória desde a saída do Egito, e destaca as ocorrências, boas ou más no meio do povo e do povo para com os preceitos divinos, como foram aceitos ou desprezados em alguns momentos da caminhada, assim é necessário os alertar para voltar a seguir fielmente os mandamentos, Moisés, agora em seu segundo discurso vai mostrar e clarear ao povo, e o faz no lugar exato do discurso de despedida de Moisés, de acordo com Dt.. 1.3-5, mas com maior clareza.

Malaquias 4.4 – ACF Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, que lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos.”

Precisamos atentar para o fato de que Deuteronômio não muda a lei, apenas desperta o povo para seguir a Lei dada em Horebe [ - חרב  - Choreb - "Horebe" significa "lugar seco" ou "deserto". A maioria dos estudiosos e tradições bíblicas identifica o Monte Horebe com o Monte Sinai, situado na Península do Sinal]!

É a repetição da legislação mosaica, outorgada ao longo dos livros de Êxodo, Levítico e Números. Não é uma segunda lei”, segundo o nome o título que lhe foi dado na versão da  Septuaginta (de onde se deriva a palavra Deuteronômio), é a repetição daquilo que já havia sido dado, com algumas adições e alterações, necessárias para reforço ou mesmo porque Moisés na trajetória até Bete-Peor observara como o povo necessitava de interpretações e reforço dos Mandamentos que em si mesmo não foram alterados.

Os Três Sermões de Moisés:

–  1,1 a 4,43 – Recapitula os quarenta anos vagando pelo deserto que culminaram naquele momento e termina com uma exortação para que se observe a Lei Mosaica.

– 4,44 a 29,1 – Relembra os israelitas da necessidade do monoteísmo e da observância das Leis que Deus entregou a Moisés no Sinai da qual depende a posse da terra que irão conquistar.

– 29,2 a 30,20 – Oferece o consolo de que, mesmo que Israel se mostre infiel – e, por isso, perca a terra prometida por Javé – com o arrependimento, tudo poderá ser restaurado.

Em Deuteronômio Moises vai estabelecer doutrinas ou ensinamentos fundamentados na moralidade e costumes, regras de culto, decretos divinos e preceitos de justiça e juízo, a serem seguidos, cada qual a ser usado na vida pessoal na vida coletiva, na religiosidade através dos sacerdotes e também dos pais em ensinarem seus filhos ao longo da vida ou do caminho, e na coletividade como Povo/Nação (que exprimem a multiplicidade dos preceitos, costumes, ritos, cerimônias etc. da legislação mosaica.):

Testemunhos

Estatutos

Juízos.

O autor sacro usou esses três termos para comentar sobre as palavras de Moisés (1.1). a base são os Dez Mandamentos, como a base para vida do povo e de uma ‘constituição’ teocrática.

São três modos diferentes de aludir às numerosas leis, morais, cerimoniais e judiciais, que seriam ventiladas no segundo discurso de Moisés.

Cf. Dt. 6.17,20. Os dez mandamentos, como é claro (Dt. 5.7 ss.; Êx. 20), eram a base de todo desenvolvimento da legislação mosaica. Talvez esses sejam os testemunhos, à base dos quais outras leis foram desenvolvidas. Mas é precário tentar descobrir distinções entre esses três vocábulos. Representam antes um acúmulo de termos que exprimem a multiplicidade dos preceitos, costumes, ritos, cerimônias etc. da legislação mosaica.

A seção sobre (contra) a idolatria:

Por histórias:

1º trecho do primeiro sermão - Descreve a Viagem de Horebe à Terra Prometida e enfatiza a conquista da Transjordânia.

Base fundamental para a Nação – Um único Deus, Yahweh!

Moises ensina ao povo que amar a Deus é o fundamento que manterá a proteção ao povo em todo o tempo, mas não a qualquer divindade, mas ao Único Deus, Yahweh. Quem verdadeiramente ama a este Deus não terá espaço para adorar qualquer divindade com seu deus!

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Deuteronômio 6.4-5

É destacado no livro o preceito fundamental do Amor – sumário da Lei num mandamento fundamental. O Deus único requer o cumprimento da lei do amor, que sumaria a lei toda em uma única declaração, precisamente o quinto versículo deste capítulo.

- de Deus

- a Deus

- ao Único Deus.

Como Deuteronômio é a segunda dação da lei ao povo, encontramos a duplicação como afirmação dos Mandamentos fundamentais para o povo.

Ressaltando a crença monoteísta, crível num único e existente Deus, cujo nome é Yahweh", corroborando e reafirmando o que está escrito no livro do Êxodo 20.3,4!

PRIMEIRA PARTE

Fonte:

Apologeta

Esboço geral de uma aula de Antigo Testamento; Pastor Washington Roberto Nascimento

Wiersbe - AT

Champlin AT V1

Russel Champlin AT interpretado V22

Citações no corpo do texto

Apontamentos do autor

quinta-feira, setembro 3

Esperança inabalável perante os poderosos - Lição CPAD – 6/09/2026

Esperança inabalável perante os poderosos

Lição CPAD – 6/09/2026

Subsídio pastor e professor Osvarela

Texto: E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens.” (At 24.16).

Prática: A fidelidade ao Evangelho se expressa em uma consciência irrepreensível diante de Deus e dos homens.

Leitura Bíblica  - Atos 24.1-6,10-16.

1 — Cinco dias depois, o sumo sacerdote, Ananias, desceu com os anciãos e um certo Tértulo, orador, os quais compareceram perante o governador contra Paulo.  E, sendo chamado, Tértulo começou a acusá-lo, dizendo: Visto como, por ti, temos tanta paz, e, por tua prudência, se fazem a este povo muitos e louváveis serviços, sempre e em todo lugar, ó potentíssimo Félix, com todo o agradecimento o queremos reconhecer. Mas, para que te não detenha muito, rogo-te que, conforme a tua equidade, nos ouças por pouco tempo. Temos achado que este homem é uma peste e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e o principal defensor da seita dos nazarenos; o qual intentou também profanar o templo; e, por isso, o prendemos e, conforme a nossa lei, o quisemos julgar.

Atos 24. 10-16. — Paulo, porém, fazendo-lhe o governador sinal que falasse, respondeu: Porque sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz, com tanto melhor ânimo respondo por mim. Pois bem podes saber que não há mais de doze dias que subi a Jerusalém a adorar; e não me acharam no templo falando com alguém, nem amotinando o povo nas sinagogas, nem na cidade; nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam. Mas confesso-te que, conforme aquele Caminho, a que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na Lei e nos Profetas. Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos. 16 — E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens. [16 — Γι’ αυτό, προσπαθώ πάντα να έχω συνείδηση ​​απαλλαγμένη από σκάνδαλα, τόσο απέναντι στον Θεό όσο και απέναντι στους ανθρώπους.]

Introdução:

1-Definindo Consciência:

"Consciência" é uma das palavras prediletas de Paulo, e ele a emprega duas vezes no Livro de Atos (23:1; 24:16) e 21 vezes em suas epístolas. O termo significa "conhecer com, ou saber em conjunto com". A consciência é o "juiz" ou a "testemunha" interior que aprova quando fazemos o que é certo e reprova quando fazemos o que é errado (Rm 2:15). A consciência não determina os padrões, apenas os aplica. Se um ladrão denunciasse os companheiros de crime, sua consciência o condenaria tanto quanto a consciência de um cristão o perturbaria, se ele mentisse sobre seus amigos. Sejam bons ou maus, certos ou errados, a consciência apenas aplica os padrões às pessoas.

A consciência pode ser comparada a uma janela que deixa penetrar a luz. A Lei de Deus é a luz; quanto mais limpa a janela, mais luz deixará entrar. À medida que a janela fica suja, a luz é ofuscada e, por fim, se transforma em trevas. Uma "boa consciência" ou uma "consciência limpa" (1 Tm 3:9) é aquela que deixa a luz de Deus entrar, de modo que sejamos convencidos da culpa, se fizermos algo errado, e encorajados, se fizermos o que é certo. A consciência "contaminada" (1 Co 8:7) é aquela contra a qual se pecou com tanta frequência a ponto de não ser mais confiável. Se o indivíduo persiste em pecar contra a consciência, pode desenvolver a chamada "má consciência" (Hb 10:22) ou "consciência cauterizada" (1 Tm 4:2). Nesse caso, sente-se culpado ao fazer a coisa certa, não o que é errado!

2-Etimologia:

Εσω - eso; adv. em, para dentro de; dentro - alma, interior da pessoa; alma, consciência 

καυστηριαζω – kauteriazo; v. marcar a fogo, marcar com ferro em brasa, marcados pelas suas próprias consciências - cujas almas estão insensibilizadas com as marcas do pecado - que carrega consigo a perpétua consciência de pecado.

συνειδησις - suneidesis; n. f. consciência de algo; alma como diferenciadora entre o que é moralmente bom e mal, impulsando para fazer o primeiro e evitar o último, glorificando um, condenando o outro; consciência.

συνειδω - suneido; v. ver (ter visto) na própria mente, consigo mesmo - entender, perceber, compreender; conhecer com; conhecer pela própria mente ou por si mesmo, ter consciência de;

σωρευω - soreuo; v. metáf. oprimir alguém com a consciência de muitos pecados

ελπις – elpis; de elpo (antecipar, usualmente com prazer); n.f. expectativa do mal, medo; expectativa do bem, esperança - no sentido cristão - regozijo e expectativa confiante da eterna salvação; sob a esperança, em esperança, tendo esperança - o autor da esperança, ou aquele que é o seu fundamento; o que se espera.

περικεφαλαια - perikephalaia; n. f. capacete; metáf. proteção da alma que consiste na (esperança de) salvação.

3-Personagens deste texto:

Tértulo - Τερτυλλος - Tertullos “três vezes endurecido” - (um certo Tértulo, orador) – Tércio do latim; um “... orador ...” profissional ou advogado, sem dúvida alguma um romano (ou possível que Tertulo fosse romano de raça,  convertido ao judaísmo, mas alguns o tem como judeu pois ele fala: “por isso, o prendemos e, conforme a nossa lei, o quisemos julgar.“) que estava familiarizado com toda a maneira de proceder dos tribunais romanos. Esse era um costume que prevalecia nas províncias romanas, conforme também Cicero (Pro Cael., 30) nos informa.

Ανανιας – Ananias do hebraico - חנניה ; n. pr. m. Ananias = “graciosamente dado pelo SENHOR”

Atos 24.1 — Cinco dias depois, o sumo sacerdote, Ananias, desceu com os anciãos

O sumo sacerdote Ananias – (interessante notar que Deus usara outro Ananias para visitar Paulo após o encontro no Caminho de Damasco.)

Ananias este sumo sacerdote (nome muito comum nas Escrituras) foi o sumo sacerdote desde o ano de 48 D.C. foi nomeado por Herodes Agripa II. Continuou ocupando esse ofício até cerca de 58 D.C., quando foi deposto. Era filho de Nebedeu; e sucedeu a José, filho de Camidos, tendo sido substituído por Ismael, filho de Fabi. Em 52 D.C., Ananias foi enviado a Roma, pelo prefeito Umidio Quadrato, a fim de responder as acusações de opressão (era notório por sua ganância e violência, tendo sido acusado de utilizar-se de mãos assassinas para livrar-se de seus adversários políticos). Não obstante, sobreviveu ao julgamento, e ainda ocupou o cargo de sumo sacerdote por cerca de mais seis (6) anos. Foi deposto pouco antes de Felix deixar o ofício de governador romano. Foi morto pelos zelotes em 66 D.C., por demonstrar simpatia para com os romanos invasores.

Félix o governador ou presidente - Antonius Félix começou sua vida como um escravo. Seu irmão Palas era um amigo do imperador Cláudio; através dessa influência, ele ascendeu em status – primeiro como uma criança ganhando a liberdade, e em seguida por meio de intriga ele se tornou o primeiro ex-escravo a se tornar governador de uma província romana.

Observemos que ainda que os judeus o tivessem condenado, a consciência de Paulo não o acusava de coisa alguma.

Precisamos entender que a igreja ainda era considerada por muitos como uma seita judaica.

4-Os judeus montam seu caso contra Paulo.

Atos 24.5 — Temos achado que este homem é uma peste e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e o principal defensor da seita dos nazarenos;

6 — o qual intentou também profanar o templo; e, por isso, o prendemos e, conforme a nossa lei, o quisemos julgar.

4-1-As acusações contra Paulo.

Importante destacar a importância, não só religiosa, mas política que o Sinédrio através de Ananias deu à situação de Paulo, talvez como uma forma de cercear, com força da acusação, a caminhada da Igreja através de um importante líder, mas que por suas posições de evangelizar gentios deu voz aos judaizantes, força importante no corpo da Igreja e também junto ao Sinédrio, abriram a brecha para levar o caso aos tribunais.

Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias desceu a Cesaréia - Cesaréia era a capital romana da Judéia, sendo uma base militar romana. - com alguns dos líderes dos judeus e um advogado chamado Tértulo, os quais apresentaram ao governador (Félix - sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz) suas acusações contra Paulo.

4-2-O arcabouço jurídico:

Tempo decorrido de forma cronológica:

Atos 24.1. — Cinco dias depois, o sumo sacerdote, Ananias, desceu com os anciãos e um certo Tértulo, orador, os quais compareceram perante o governador contra Paulo.

Cinco dias depois:

Primeiro dia - Paulo chega a Jerusalém (21:17).

Segundo dia - Encontra-se com Tiago e com os presbíteros (21:18).

Terceiro dia - Vai ao templo com os nazireus (21:26).

Quarto dia - No templo.

Quinto dia - No templo.

Sexto dia - É preso no templo (21:27).

Sétimo dia - Encontra-se com o conselho judeu (23:1-10).

Oitavo dia - Sofre ameaças; é levado para Cesaréia (23:12, 23).

Nono dia - Chega a Cesaréia (23:33).

Décimo dia - Fica à espera dos líderes de Jerusalém convocados por Félix.

Décimo primeiro dia - Continua à espera dos líderes.

Décimo segundo dia - Espera; líderes chegam; é marcada a audiência.

Décimo terceiro dia - Audiência com Félix.

Obs.:...cinco dias...”, podem ou devem ser contados a partir da data de sua apreensão.

A liderança judaica (o sumo sacerdote Ananias e os líderes judeus) trouxeram um homem chamado Tértulo – um habilidoso advogado – para apresentar seu caso na corte de Félix nos lembra o quão sério a liderança judaica monta o processo afim de obter uma condenação contra Paulo.

‘O sumo sacerdote empreendeu a viagem de 96 km a fim de supervisionar ele mesmo o processo.’ Bíblia de Estudo NVI Vida.

A acusação de Tertulo (sabedor da situação de vida do governador – ou presidente -) se inicia com a fala que busca elogiar o tribuno Felix, um ex-escravo.

“Tertulo um advogado, orador profissional. Na introdução a seu discurso emprega um captatio benevolentiae, lisonja para criar uma atitude favorável ao seu lado no caso. Paulo por sua parte utiliza apenas a advocacia do Espírito Santo.” Bíblia Shedd.

4-3-Acusações:

O discurso de Tertulo quase certamente foi proferido em latim, e talvez houvesse um intérprete para benefício dos acusadores judeus, embora Paulo não tivesse necessidade desse recurso. O uso do grego na defesa junto aos tribunais romanos, era permitido ser usado na defesa (como língua comum da época), e todos os presentes que ouviram a manifestação acusatória de Tertulo contra Paulo, teriam compreendido esse idioma.

Tértulo apresentou três acusações contra Paulo que envolviam o acusado, a pessoal (descaracterizar moralmente e mostrar quem era o acusado, inclusive pelo ‘histórico’ de Paulo sob o ponto de vista dos judaizantes da Ásia - e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo -) política (fundamental aos romanos) e a religiosa (necessária para mantença da paz e equilíbrio social, sob o ponto de vista romano):

- pessoal ("este homem é uma peste"),

- política ("promove sedições" e é líder de uma religião ilegal) e

- religiosa ("tentou profanar o templo").

Acusações sérias, mas sem provas, foram levadas a audiência com o governador.

Tertulo quis levar o governador uma posição na qual o povo tinha razão e Paulo era, de fato, culpado e que os judeus estavam no seu direito ao prender um cidadão romano, mas judeu e que o capitão (Lísias) havia se enganado e saído da linha pela qual deveria seguir no caso; Mas, Félix prudentemente se levou pela carta que recebera do comandante e se resguardou com base na confiança ao seu oficial.

                        A carta de Cláudio a Félix

“Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix, saúde. Este homem foi preso pelos judeus e estava prestes a ser morto por eles, quando eu, sobrevindo com a guarda, o livrei, por saber que ele era romano. Querendo certificar-me do motivo por que o acusavam, fi-lo descer ao Sinédrio deles; verifiquei ser ele acusado de coisas referentes à lei que os rege, nada, porém, que justificasse morte ou mesmo prisão. Sendo eu informado de que ia haver uma cilada contra o homem, tratei de enviá-lo a ti, sem demora, intimando também os acusadores a irem dizer, na tua presença, o que há contra ele. [Saúde.]”

λοιμος - loimos; n. m. pestilência; indivíduo pestilento, peste, praga;

ταραχη - tarache; n. f. perturbação, comoção; metáf. tumulto, sedição

ταραχος - tarachos; n. m. comoção, conflito (de mente); tumulto

“uma peste e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e o principal defensor da seita dos nazarenos; o qual intentou também profanar o templo.

A falta de evidências levou Tertulo a aliviar ou diminuir a acusação de profanação do Templo, colocando como “intentou profanar o Templo”.

O próprio Paulo ao pedir o direito de fala, desmonta facilmente as acusações e mostra que os acusadores nem sequer estavam na audiência.”

Seita dos nazarenos – usar o termo nazarenos foi uma tentativa de ligar Paulo a Jesus de Nazaré, uma província pobre e desprezada da Galiléia. Por isto, digo que levar Paulo a justiça era uma forma de identificar a Igreja (aquele Caminho que chamam seita) como algo a ser desmontado e proibida.

Queriam ter agredido, ou até mesmo matar Paulo, mas ainda acusaram Lísias de ter impedido a violência contra o apóstolo, tal era a ira contra ele.

Atos 24:7-9 – ACF “Mas, sobrevindo o tribuno Lísias, no-lo tirou de entre as mãos com grande violência, Mandando aos seus acusadores que viessem a ti; e dele tu mesmo, examinando-o, poderás entender tudo o de que o acusamos. E também os judeus consentiam, dizendo serem estas coisas assim.”

O trecho 6b-8a [e, por isso, o prendemos e, conforme a nossa lei, o quisemos julgar. …o comandante Lísias, o arrebatou das nossas mãos, com grande violência…] … não consta dos melhores manuscritos . Bíblia Shedd.

A ação de Claudio Lísias foi necessária se olharmos para a quantidade de soldados que foi necessário para garantir a segurança de Paulo até Cesaréia - foram necessários quase 500 soldados para proteger um só homem em trânsito entre Jerusalém e Cesaréia.

-  'Chamando dois centuriões, ordenou: Tende de prontidão, desde a hora terceira da noite, duzentos soldados, setenta de cavalaria e duzentos lanceiros para irem até Cesareia; ' Atos 23:23

João 1:46 ARC “Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?

Tértulo procura distinguir os cristãos dos judeus. Desta forma atingia o cristianismo que perderia a proteção da lei que o judaísmo gozava.

Destaque: Os acusadores de Paulo não produziram testemunhas para provar que ele estava de fato discutindo…no templo ou incitando uma multidão. Simplesmente não havia prova para suas acusações.

4-4-Paulo expõe a fraqueza do caso contra ele.

“O segredo do governo romano era o princípio do controle indireto". Isso significava que a verdadeira responsabilidade administrativa recaía sobre os ombros das autoridades locais. A Roma imperial só se envolvia quando havia algum perigo externo ou quando havia conflito entre as unidades administrativas.” Arnold Toynbee

Paulo certamente deve ter lembrado das acusações que o Sinédrio fizera ao próprio Cristo, agora ele manem sua posição na esperança da salvação e da chamada confirmada pela sua fé.

"O segredo do governo romano era o princípio do controle indireto"

É importante entender como funcionava o sistema mantido pelo Império Romano sobre as nações sob seu domínio, primeiro mantinham a cultura, a língua, e religião das colônias, como no caso de Israel, concediam parte da justiça sob as autoridades nativas, aqui sob a ação do Sinédrio, mantendo agrupamentos militares das legiões romanas nas localidades e indicando ou comissionando reis locais, governadores, também chamados de presidentes de confiança. A intervenção em causas locais se dava quando as desavenças ou demandas locais inferissem em desautorizar o Império ou contra a governança romana na região.

Atos 24:10-14 – ACF Paulo, porém, fazendo-lhe o presidente sinal que falasse, respondeu: Porque sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz, com tanto melhor ânimo respondo por mim. Pois bem podes saber que não há mais de doze dias que subi a Jerusalém a adorar; E não me acharam no templo falando com alguém, nem amotinando o povo nas sinagogas, nem na cidade. Nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam. Mas confesso-te isto que, conforme aquele Caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas.

Paulo mostra a sua desenvoltura e respeito as autoridades e sendo mestre sabia como se portar diante das autoridades - sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz, com tanto melhor ânimo respondo por mim

Atos 24.15 — Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos.

Paulo destaca, na sua defesa, sua fidelidade ao judaísmo, contrariamente ao a acusação de infidelidade, Paulo assegurava a Félix que, como judeu, ele seguia uma religião protegida por Roma. Como seguidor do “Caminho” (já defendendo a Igreja – a seita -, como uma entidade que respeitava as Escritura – Moisés e os profetas -), Paulo mostra que continuava a servir “ao Deus de nossos pais” e cria na ressurreição dos mortos (Dn 12.1-2; 1Ts 4.13-18; 2Ts 1.8). Bíblia de Genebra.  Mostra que continuava a seguir o caminho da justiça e verdade era o alvo do melhor judeu. Foi isto que Paulo fazia seguindo o verdadeiro ensino da lei e dos profetas, agora cumprido em Cristo. Não abandonara o judaísmo: pelo contrário, negar o cristianismo seria rejeitar sua própria tradição. Bíblias Shedd e Genebra, editada e compilada.

Coloca diante do governador a falta de provas ou de testemunhas - convinha que estivessem presentes perante ti, e me acusassem -, que Tertulo e a equipa do Sumo sacerdote, bisonhamente, ou por entender que Paulo seria facilmente derrotado, não levaram.

"Na lei romana, a primeira pessoa era o cidadão". Em outras palavras, era responsabilidade do tribunal proteger o cidadão do Estado; A lei foi a expressão mais característica e duradoura do espírito romano" Will Durant – historiador em Caesar and Christ [César e Cristo].”

Paulo relembrou a Félix que não havia testemunho de testemunhas oculares para provar as acusações de seus acusadores.

- “Este foi um ponto forte de sua defesa: as pessoas que haviam levantado o clamor na primeira instância, reivindicando ser testemunhas oculares de seu suposto sacrilégio, não se deram ao trabalho de estarem presentes”. Bruce

4-5-Falta de evidências - Paulo estava correto, consistentemente chama o caso de volta para a evidência, exatamente aquilo que seus acusadores evitavam.

- Cristãos nunca deveriam ser tímidos sobre ou envergonhados da verdade ou de evidência. Se estamos verdadeiramente seguindo a Deus, a verdade e a evidência são nossas aliadas, não nossas acusadoras.

Continuando:

Paulo mostra como mesmo pregando o Evangelho não deixou de aceitar as Escrituras e a confissão baseada na lei e nos profetas:

“sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas”

Paulo descreve qual foi o motivo de vir a Jerusalém e como respeitava o Templo e o pensamento religioso dos judeus - na Lei e nos Profetas - e como os que o acusaram viam a sua visão sobre a doutrina que pregava, que incluía a Ressurreição de Jesus Cristo incomodara os seus acusadores e como entendia que a lei e os profetas, como se diz das Escrituras Veterotestamentárias como dadas a nação de Israel continuava como base de sua religiosidade e crença em Deus, um Único Deus..

Atos 24:17b-21 – ACF …vim trazer à minha nação esmolas e ofertas. Nisto me acharam já santificado no templo, não em ajuntamentos, nem com alvoroços, uns certos judeus da Ásia, Os quais convinha que estivessem presentes perante ti, e me acusassem, se alguma coisa contra mim tivessem. Ou digam estes mesmos, se acharam em mim alguma iniquidade, quando compareci perante o conselho, A não ser estas palavras que, estando entre eles, clamei: Hoje sou julgado por vós acerca da ressurreição dos mortos.

5-Pontos importantes destacados pro Paulo:

vim trazer à minha nação esmolas e ofertas -  coleta que Paulo fez pelos cristãos da Judeia entre as igrejas dos gentios do oeste (Gálatas 2:10, Romanos 15:26 e 2 Coríntios 8-9, At 20.4n).

me acharam já santificado no templo,

não em ajuntamentos, nem com alvoroços,

acusadores - uns certos judeus da Ásia

cadê as testemunhas? - convinha que estivessem presentes perante ti, e me acusassem convinha que estivessem presentes perante ti, e me acusassem

Tertulo e a comitiva do Sumo sacerdote - estes mesmos, se acharam em mim alguma iniquidade, quando compareci perante o conselho

se apoiam na minha crença - Caminho, a que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais

Continuo sendo um judeu - crendo tudo quanto está escrito na Lei e nos Profetas. ..., como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos; esta fala de Paulo sobre a ressurreição mostra a Natureza Da Defesa De Paulo que inseria Cristo na discussão e a sua origem coloca em tela saduceus contra fariseus, sendo fariseus destacados no Sinédrio quanto a aceitarem a ressurreição, ao contrário dos saduceus, quanto a esta doutrina:

1. Qualquer defesa quanto à doutrina da ressurreição também era defesa da ressurreição de Cristo, pois sobre isso é que todos estavam pensando, porquanto por toda a parte havia cristãos proclamando as boas novas.

2. Portanto, Paulo não faz simplesmente os fariseus se lançarem em antagonismo contra os saduceus, apesar de que também desejasse fazer isso que acreditavam ser a vida após a morte era um absurdo teológico.

Quanto a ressureição, o fulcro da prisão de Paulo - Atos 23.6,9. “E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado. E, havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu. Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa. E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e, se algum espírito ou anjo lhe falou, não lutemos contra Deus.

6-A Esperança garantia a posição de Paulo:

Atos 24.15,16 — Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos. E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens. [ Γι’ αυτό, προσπαθώ πάντα να έχω συνείδηση ​​απαλλαγμένη από σκάνδαλα, τόσο απέναντι στον Θεό όσο και απέναντι στους ανθρώπους.]

“A consciência é o "juiz" ou a "testemunha" interior que aprova quando fazemos o que é certo e reprova quando fazemos o que é errado (Rm 2:15).”

É necessário entender que Paulo foi ameaçado de morte deste Atos capítulo 14, recebeu juramento de morte por 40 homens conjurados em voto de morte contra ele. Sugiro a leitura dos capítulos 13 ao 24 de Atos dos Apóstolos.

Romanos 2:15b,16 -ACF “…testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.”

Paulo foi atacado e violentamente agredido e deixado quase morto em uma de suas viagens.

Sofreu vários julgamentos tudo por causa da sua vida com cristo.

Isto nos mostra que ele tinha uma consciência total sobre o servir a Cristo e conduzir homens e mulheres judeus ou gentios a salvação pela pregação do Evangelho.

A sua consciência de vida plena em Cristo motivava-o e dava-lhe coragem para enfrentar tribunais, sejam os do Sinédrio, ou os tribunos romanos, ali destacados para dirimir dúvidas sobre as acusações que que os do Sinédrio usando os judaizantes como ‘massa de manobra’.

1 Timóteo 3:9 – ACF “Guardando o mistério da fé numa consciência pura.”

1 Coríntios 8:7b – ACF “…e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada.”

Paulo manteve sua consciência pura e incontaminada, quanto a chamada no caminho de Damasco, não deixou que as lutas e adversidades atingissem sua consciência de que Cristo lhe visitara e lhe chamar, e confirmara sua missão de evangelizar. Como podemos ver a confirmação durante sua ida a Jerusalém, dentro do Templo, Jesus lhe visita e conforta e o encoraja a seguir em frente. Atos 22. 18;21. Paulo nos ensina que quando alguém faz o que é certo, fica tranquilo e não hesita em falar o que se passou e porque agiu seja diante do Sinédrio, ou diante do Juiz romano.

Ao lermos Romanos capítulo 1 entendemos que na Bíblia, a consciência é aquilo que nos ajuda a distinguir entre o certo e o errado, e mostra que mesmo quem não conhece a Deus pode conhecer as leis naturais de Deus. Como Paulo nos mostra, fica claro, que todas as pessoas têm uma consciência, mas essa consciência pode ser distorcida pelo pecado.

Atos 14:22 – ACF “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.”

Paulo nos ensina que a nossa consciência deve se manter pura e sem contaminação quanto a nossa chamada e serviço no Evangelho, quanto a salvação de judeus, gregos, citas. É a grande revelação que move nossa esperança de vencer obstáculo com Cristo, para Cristo e em Cristo.

- ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para homens!

Paulo sabia que sua fala era verdadeira e sincera, pois de outra maneira estaria sendo condenado pelo próprio D’us a quem servia, isto é, Deus não pode ser enganado, nem se deixa enganar, ainda que alguns, como seus acusadores enganem os homens!

A fé de Paulo era colocada a prova cada dia de seu ministério e neste caso apontava para seu futuro como Deus já lhe havia dita, já preso na fortaleza em Jerusalém após o episódio no Templo:

         O Senhor apareceu a Paulo e lhe disse: “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma.”

Manter a esperança e a fidelidade mesmo preso é a lição de Paulo aos chamados!

Fonte:

Dicionário Strong

Lição CPAD – 3º trimestre 2026

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