Cristo entre os filósofos: O Deus Desconhecido se revela
Lição 5 CPAD – 2/08/2026
Subsídio pastor
e professor Osvarela
Texto
“Mas Deus, não tendo em conta
os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se
arrependam.” (At 17.30).
Leia o Anexo
Prática
A obra evangelística floresce
quando o coração, sensível ao Espírito, discerne os tempos e proclama com
ousadia a graça salvadora de Cristo.
Atos 17.15-20,30-32.
15 — E
os que acompanhavam Paulo o levaram até Atenas e, recebendo ordem para que Silas
e Timóteo fossem ter com ele o mais depressa possível, partiram.
16 — E,
enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo,
vendo a cidade tão entregue à idolatria.
17 — De
sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na
praça, com os que se apresentavam.
18 — E
alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele. Uns diziam: Que
quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos.
Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.
19 — E,
tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova
doutrina é essa de que falas?
20 — Pois
coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser
isso.
30 — Mas
Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os
homens, em todo lugar, que se arrependam,
31 — porquanto
tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do
varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos.
32 — E,
como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros
diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez.
- Objetivos da Lição:
I) Levar o aluno a compreender a
idolatria em Atenas;
II) Analisar os postulados dos
filósofos epicureus e estoicos à luz do Evangelho;
III) Aplicar o discurso do
apóstolo Paulo no Areópago à vida cristã.
Etimologia:
Επικουρειος – Epikoureios -
de Epikouros (um notável filósofo); adj. Epicureano = “ajudador:
defensor”; que pertence à seita de Epícuro, o filósofo.
στωικος - Stoikos;
adj. estóicos = “do pórtico”; que pertence à filosofia estoica. Zeno de Cítium,
pai do estoicismo, ensinou em Atenas.
αρεοπαγιτης - Areopagites;
n. m. um membro da corte de Areópago, um Areopagita.
διονυσιος – Dionusios - Dionusos
(Bacos); n. pr. m, Dionísio = “devoto de Baco”; um ateniense, um membro do
Areópago, convertido ao cristianismo por Paulo
Αρειοςπαγος - Areios Pagos de
Ares (o nome do deus da guerra dos gregos); n. pr. loc. Areópago = “colina de
Marte”; uma elevação rochosa na cidade de
Atenas, a noroeste da Acrópole (No Acrópole [principal colina de Atenas) foi
construído o grande Partenon, em honra a Atena. que veio a ser a principal deidade
daquela cidade, tornou-se símbolo da unidade e do poderio da cidade.) Este
morro pertenceu a (Ares) Marte e era chamado Colina de Marte; Este era o local aonde os juízes
eram convocados a reunir-se, os quais, por designação de Solon, tinham jurisdição
sobre ofensas capitais, (como assassinato intencional,
incêndio culposo, envenenamento, ofensa maliciosa e quebra dos costumes
religiosos estabelecidos). A própria corte era chamada de Areópago por causa
do lugar onde ela estava, também era chamada “Areum judicium” e “curia”.
Foi no Areópago, nesta colina,
que o apóstolo Paulo não foi guiado para defender a si mesmo perante os juízes,
mas para expressar sua opinião sobre assuntos divinos para uma multidão mais expressiva,
reunida ali e ansiosa por ouvir algo novo.
A importância da segunda viagem missionaria e Atos dos Apóstolos:
Em Troade, uma
visão indicou que a Macedônia (no continente europeu) era um dos alvos dessa
viagem. Assim sendo, começou a evangelização da Grécia. Foram visitadas as
cidades de Filipos, Tessalônica e Bereia. Na Acaia
(sul da Grécia), foram visitadas as cidades de Atenas e Corinto.
Paulo demorou-se em Corinto por quase
dois anos.
Em Troade, Lucas se reunira ao
grupo missionário, e parece certo que nesse tempo começou ele a escrever a
sua importantíssima narrativa da igreja primitiva, chamada de Atos dos
Apóstolos, obra da qual se obtém quase todo o conhecimento de que dispomos
acerca de Paulo e suas viagens, bem como do desenvolvimento da igreja primitiva
em geral.
Pensadores e pensamentos
filosóficos da época:
Romanos 5:12 – ACF “Portanto,
como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte,
assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos
pecaram.”
Epicureus
- Epicuro teria vivido entre os anos de 341 a 270 a.C. e desenvolveu
ideias pregadas por Aristipo, o qual, por sua vez, fora discípulo de Sócrates e
dizia que o prazer seria o bem supremo da vida. Assim, para os
epicureus a razão de viver do homem seria a busca do prazer que
era alcançado através da ponderação e do autocontrole sobre os desejos humanos
a fim de se alcançar o “prazer supremo”. Dentro da perspectiva
terrena que tinha quanto à vida, Epicuro considerava que, após morrer, o homem
simplesmente deixaria de existir, de modo que para os epicureus só
interessava saber viver o momento.
O
estoicismo tratava-se de uma outra escola filosófica ateniense que
também surgiu por volta do ano 300 a.C., fundada por Zenão de Cítio. Seus
seguidores negavam a oposição entre o espírito e o corpo (para eles
só haveria matéria) e acreditavam que a morte seria um acontecimento da
natureza em que, devido a isto, caberia ao homem aceitar o destino que lhe
estava reservado.
Eclesiastes
8:2,3 – ACF “Nenhum homem há que tenha domínio sobre o
espírito, para reter o espírito; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da
morte;”
1
Tessalonicenses 5:23 – ACF “E o mesmo Deus de paz vos santifique em
tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente
conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”
Deste modo, os estóicos entendiam
que viver conforme as determinações da natureza seria “agir dentro da razão”.
E, na época de Paulo, estes pensadores eram acentuadamente religiosos, tendo se
tornado praticantes de um moralismo hipócrita e adorando diversos deuses, sendo
que, curiosamente, a maioria de seus líderes, como Zenão e Sêneca, cometeram
suicídio. Como fica claro, a vida após a morte era um conceito que não era
aceito por nenhuma dessas correntes.
“Para os estóicos, o
universo era governado pela razão, ou logos, um princípio divino que
permeava tudo. Portanto, estar em harmonia com o universo significava
viver em harmonia com Deus. (Os estoicos também tinham uma visão
particular sobre as emoções - chamadas de paixões - que dividiam em três
categorias: emoções boas, ruins e indiferentes. Eles propunham que devíamos
colocar nosso foco nas emoções ruins, ou pouco saudáveis, aprendendo a lidar
com elas.)”
Estes pensamentos, na verdade não
ficaram no passado, e tem permeado algumas filosofias, ou modo de vidas ainda
em nossos dias. BBC; Estoicismo, a filosofia de 2 mil anos cada
vez mais usada como receita para sobreviver ao caos
Os estoicos tiveram
além de Zeno, o pensador da filosofia, outros nomes que ajudaram a propagar a
filosofia estoica, destaco: Sêneca e Epiteto (um ex-escravo que viveu no
século primeiro da era cristã - I d.C.), mas houveram outros
tantos outros pensadores que ampliavam o pensamento entre os gregos, cada a um
a sua época.
Atos
17.15 “15 — E os que acompanhavam Paulo o levaram
até Atenas e, recebendo ordem para que Silas e Timóteo fossem ter com ele o
mais depressa possível, partiram.”
Paulo chegou a Atenas, de forma
forçada (vide capítulo 16.35-40 de Atos dos Apóstolos) e logo
decidiu pôr em prática sua maior tarefa que o levara a missão naquela região europeia:
proclamar o Evangelho!
Paulo chegou a Corinto através da
Macedônia. E aqui foi estabelecido um centro de influência cristã que se
espalhou por toda a região.
Atenas (a
capital intelectual do mundo, a cidade de Péricles, Sócrates, Platão e
Aristóteles) era uma cidade na qual, segundo o escritor romano Petrônio,
que viveu entre 27 e 66 D.C., era mais fácil encontrar um deus do que um homem,
já que cada portal ou pórtico tem uma divindade protetora. Ídolos que, apesar
das estátuas, serviam como ambientes pessoais, às vezes oculto, e funcionando
quase como animais de estimação para as pessoas.
Localizando o local de discursos
de pensadores em Atenas:
Já estivemos, na Grécia em Atenas
e nesta região estivemos nestes locais bíblicos, e ali ainda,
até hoje, são preservadas algumas das edificações e prédios seculares bem
conservados e em constate atualização arqueológica, o que só vem a corroborar
os textos e relatos de Lucas neste compendio de Atos dos Apóstolos.
Acrópole, o Partenon, o templo de
Apolo:
Areópago - A
noroeste da Acrópole estava o Areópago, uma tribuna popular, onde cada um tinha
o direito de expor suas ideias, independentemente de quais fossem.
James
Adams admite a existência de 30 mil deuses em Atenas.
Na época do apóstolo Paulo (por
volta de 50 d.C.), Atenas não tinha apenas um único panteão público fechado,
mas funcionava como um vasto museu a céu aberto repleto de templos, altares e
milhares de estátuas espalhadas pela Acrópole e pela Ágora. Os
locais de destaque de adoração incluíam o Partenon na Acrópole (consagrado à
deusa Atena), o Templo de Hefesto na Ágora e o Altar ao Deus Desconhecido
Asclepio, filho
de Apolo (deus da cura e patrono dos médicos, filho de Apolo e da mortal
Corônis. Seu símbolo mais famoso é o bastão com uma serpente enrolada, que
representa a renovação e a profissão médica.) era considerado a médico
divino. Tendo gerado uma filha, Higeia, deusa da saúde Havia um santuário
dedicada a Asclepio, em Atenas, entre 0 teatro e a Acrópole, e que Paulo deve
ler visto ao visitar essa cidade.
Higeia
é a deusa grega da saúde, limpeza e prevenção de doenças. Ela é filha de
Asclépio (o deus da medicina) e deu origem à palavra "higiene".
Culto De Dionisio - também
era chamado Baco; primariamente, o deus da vinha Dionísio, tal como Persefane,
morreu e ressuscitou, e estava associado aos festivais de inverno e da
primavera os seus cultistas criam que beber vinho ao ponta de chegar a certo êxtase,
provocada pela ingestão do vinho e pela dança, fazia com que a seu espírito entrasse
neles. Gradualmente essas práticas se transformaram em orgias sexuais. O culto
de Dionísio passou a ser identificado com esse tipo de moral degradada.
Culto De Apolo - Apolo
era o deus que punia, suas flechas tiravam a vida de muitos homens. Entretanto,
teria funções muito mais amplas porquanto era reputado o cuidador da humanidade.
o pai da medicina, a inspirador dos poetas, dos videntes e dos adivinhos Assim
e que muitos monumentos. templos e santuários lhe foram construídos, e os multidões
criam que sua influência profética poderia ser experimentada. e muitos
profetizavam em seu
nome Um de seus oráculos famosos era de Delfos e muitas ações eram determinadas
por declarações proferidas dali.
Os Mistérios Eleusianos
(eleusinos) (ritos de natureza religiosa praticados em Eleusis; na costa do sul
da África) estavam vinculados ao deus Hades.
Deus Hades. Esse
Culto se tornou extremamente popular que baseava-se no ciclo das estações, com
ênfase especial sobre os ciclos alternados de morte e vida, de primavera e
inverno.
Mistérios Eleusianos - Hades
é o deus grego do submundo e do reino dos mortos, filho de Cronos e Reia, e
irmão de Zeus e Poseidon. Ele é conhecido por governar as profundezas da Terra
e por sua personalidade severa, mas justa.
Deusa Demétria (Deméter) era uma
das deusas especiais desse culto de estações, a ela era atribuída a guarda dos
campos férteis. Era uma das divindades mais importantes para a
sobrevivência humana, pois ensinou aos mortais a arte do plantio e do cultivo
do trigo.
Locais Sagrados e Monumentos na
Época de Paulo
- A Acrópole:
- Abriga o Partenon, o famoso templo
dedicado à deusa protetora da cidade, Atenas.
- Continha santuários e monumentos menores a
outros deuses do panteão grego, como o templo de Atena Niky.
- A Ágora de Atenas (O Mercado Central):
- Servia como o coração comercial e
intelectual da cidade, onde Paulo debatia diariamente com filósofos
epicureus e estóicos.
- Abriga o Templo de Hefesto, dedicado
ao deus do fogo e da metalurgia, que permanece como um dos edifícios mais
bem preservados da antiguidade.
- O Altar dos Doze Deuses, localizado
no centro da praça, funcionava como o marco zero de Atenas e ponto de
refúgio religioso.
- O Areópago (Colina de Marte):
- Local rochoso próximo à Acrópole onde
funcionava o conselho superior ateniense e onde Paulo proferiu seu famoso
discurso.
- Próximo a essa região existiam altares
votivos, incluindo o célebre altar com a inscrição voltada a uma
divindade não nomeada ("Ao Deus Desconhecido" - os
atenienses juravam "em nome do Deus Desconhecido" - Νὴ τὸν Ἄγνωστον
-.)
Discurso de Paulo no Areópago:
Atos 17.18,20
— E
alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele. Uns diziam: Que
quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos.
Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição. — E, tomando-o,
o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de
que falas? — Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos,
pois, saber o que vem a ser isso.
A noroeste da Acrópole estava o
Areópago, uma tribuna popular, onde cada um tinha o direito de expor suas
ideias, independentemente de quais fossem. Paulo foi conduzido por filósofos
epicureus e estoicos a essa tribuna para expor a estranha doutrina que pregava:
da redenção de Cristo e ressurreição final. O apóstolo dos gentios não perdeu a
oportunidade. Cheio do Espírito Santo pregou o que vai registrado em Atos
17.16-34, pondo em xeque o rude politeísmo grego, com o Deus vivo que era a
bandeira que Paulo desfraldava. Em suma, eis o que a experiência de Paulo no
Areópago:
O
espírito de Paulo se revoltava com a brutal idolatria de Atenas. James
Adams admite a existência de 30 mil deuses em Atenas.
Paulo
exaltou a religiosidade dos atenienses. Eles tinham muita religiosidade, mas
eram vazios de espiritualidade. Apolônio, filósofo contemporâneo de Paulo,
repreendeu os atenienses por causa de suas bacanais nos festivais de Dionísio.
Além disso, tiravam a vida do semelhante sem nenhuma razão.
“DEUS DESCONHECIDO”.
O apóstolo destacou, entre os milhares de altares que se espalhavam pela cidade, o dedicado ao “DEUS DESCONHECIDO”. Esse “Deus” que eles veneravam, mas não o conheciam, era o que Paulo pregava. Foi o “introito” de seu poderoso sermão, no qual ele descreveu os atributos desse Deus maravilhoso.
Atos 17.,24 “(E
todos os atenienses e visitantes estrangeiros não se ocupavam de nenhuma outra
coisa, a não ser em dizer e ouvir alguma novidade). E Paulo, estando no meio do
areópago, disse: Homens atenienses, eu vejo em tudo como vós sois muito
religiosos; Porque enquanto eu passava pela cidade e via vossos santuários,
achei também um altar, em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO.
Este a quem vós prestais devoção sem conhecer, este é o que eu vos anuncio; O
Deus que fez o mundo, e todas as coisas que nele há; este, sendo Senhor do céu
e da terra, não habita em templos feitos por mãos.
“porque
também nós somos descendência dele.
Sendo
então descendência de Deus, nós não devemos pensar que a
divindade seja semelhante a ouro, ou a prata, ou a pedra esculpida por
artifício e imaginação humana.”
Sete pontos do Discurso de Paulo
no Areópago:
• Deus é
criador de tudo o que existe.
• É o
Senhor do céu e da terra.
• Não
habita em santuários feitos por mãos humanas.
• Não é
servido por mãos humanas.
• De nada
precisa (ou necessita).
• Pelo
contrário, esse Deus dá vida, respiração e tudo mais.
• De um
só fez toda a raça humana para habitar sobre a face da terra.
• Fixou
os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação para buscarem
a Deus, se porventura tateando o possam achar, pois não está longe de cada um
de nós.
• Pois
nele vivemos, e nos movemos e existimos (argumenta citando um poeta grego).
• A
verdadeira divindade não é semelhante ao ouro, à prata, à pedra, trabalhados
pela arte e imaginação do homem.
• Deus
perdoou em Cristo os tempos da ignorância humana.
• Jesus
Cristo é o juiz estabelecido por Deus para julgar vivos e mortos.
• Deus
não tem prazer na morte do ímpio, pelo contrário, quer que todo homem se
arrependa e receba Cristo para perdão dos pecados e desfrute da vida eterna.
Deus deu certeza do poder de Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos.
É importante exercício estudar a
origem deste altar. Leia o
link sobre a hipótese da origem deste altar, ligado a visão monoteísta de
um homem. Leia o anexo!
Paulo usou como ponto de contato o
altar dos Doze deuses em Atenas, para começar seu discurso sobre o Deus que fez
o mundo, que não é esculpido em pedra ou confinado a algum templo, e que
controla os tempos e os lugares onde as pessoas vivem.
Atos 17.24,25 “O
Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra,
não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é servido
por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele
mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas;”
Deus criou tudo, o mundo inteiro
e tudo o que há nele. (Slm 146:6; Isa 42:5). O que Paulo prega e discute e
ensina, contrastava totalmente com o pensamento grego, que pressupõe que a
matéria é eterna.
Mas Deus fez o mundo, o mundo
veio a existir de Deus.
Ele chamou as coisas que não são,
como se fossem (Rom 4:17; Heb 11:3). Isso significa que tudo o que existe
veio do único Deus. Deus não faz parte da criação ou está unido a ela. Ele está
lá e está acima da criação.
Atos 1. 26 “E de um
sangue ele fez toda nação humana, para habitarem sobre a face da terra,
determinando os tempos desde antes ordenados, e o limites da morada
deles;”
..., tendo
determinado … os lugares exatos em que deveriam
habitar. (NVI). Citando um
Criador pessoal, em oposição às opiniões do estoicismo panteísta, que planejou,
e colocou em área específica, o local que cada nação devia ocupar.
Ele é Deus, que planejou tudo.
Como vemos, o discurso de Paulo
foi diretamente frontal ao que os epicureus e estoicos entendiam e acreditavam
sobre a vida e a morte.
Atos 17.
27 “Para
que buscassem ao Senhor, se talvez pudessem apalpá-lo e encontrá-lo,
apesar dele não estar longe de cada um de nós.”
Paulo utiliza a literatura grega
(citando poetas como Arato e Epimênides) para introduzir o monoteísmo
criador e o juízo final por meio de Cristo. Assim, Paulo coloca: “O
propósito da bondade de Deus é criar o desejo no homem de O buscar, tateando.
(Rm 2.4)
Paulo
aplicou as citações ao Deus vivo do céu. Os poetas são Epimênides (c. 600
a.C.), Cleanto (331-233 a.C.) e Arato (c. 315-240 a.C.).” Bíblia de
Genebra.
“Platão
usou esta palavra para indicar as melhores conjeturas sobre a verdade” (Phaedo,
99). Bíblia Shedd.
Aristóteles: a
filosofia é "a ciência que considera a verdade".
Atos 17. 28,29 Porque
nele vivemos, e nos movemos, e somos; assim como também alguns de vossos poetas
disseram; porque também nós somos descendência dele. Sendo então
descendência de Deus, nós não devemos pensar que a divindade seja
semelhante a ouro, ou a prata, ou a pedra esculpida por artifício e imaginação
humana.
Atos 17.28 “n’Ele
vivemos, e nos movemos, e existimos”. Paulo diz que Deus trouxe todas as
pessoas à existência e que elas só existem por Sua providência. No mundo
antigo, os três grandes mistérios da filosofia e da ciência eram as questões de
vida, movimento e existência. Bíblia de Genebra.
Atos 17. 30,31 “Portanto
Deus, tendo desconsiderado os tempos da vossa ignorância, agora anuncia a todos
as pessoas, em todo lugar, para que se arrependam”.
Paulo não apela para acrescentar
um Deus novo ao panteão, ou seja, descarta a existência de outros deuses que
estavam expostos no panteão dos deuses gregos, mas o concita a que abandonem
toda falsa religião para encontrar em Cristo a plena revelação.
Atos 17. 31. Porque
ele tem estabelecido um dia em que ele julgará ao mundo em justiça por
meio do homem a quem determinou; dando certeza a todos, tendo o
ressuscitado dos mortos.
- julgar. Isto
chocaria epicureus e também estóicos. Bíblia Shedd.
Pensamento dos filósofos ali
reunidos (considerando que o Estoicismo era panteísta.):
“a razão
de viver do homem seria a busca do prazer que era alcançado através da
ponderação e do autocontrole sobre os desejos humanos a fim de se alcançar o “prazer
supremo”. Dentro da perspectiva terrena que tinha quanto à vida,
Epicuro considerava que, após morrer, o homem simplesmente deixaria de existir,
de modo que para os epicureus só interessava saber viver o momento.”
“Para os
estóicos, o universo era governado pela razão, ou logos, um
princípio divino que permeava tudo. Portanto, estar em harmonia com o
universo significava viver em harmonia com Deus.”
Um dia em que há de julgar … por
meio de um varão que destinou. O dia do juízo final (Ap 20.12-15). Contrastando
com a visão dos estoicos e epicureus sobre o modo de vida pelo qual cada um
deveria encaminhar para si mesmo e nada haveria após a morte, como poderiam ser
julgados após a morte?
A rejeição pelos atenienses do
homem a quem Deus designou resultará em Jesus rejeitá-los definitivamente com
toda a justiça, no dia do juízo. Paulo enfatiza que o chamado de Deus ao arrependimento
e fé não é um convite, mas uma ordem. Bíblia de Genebra.
Atos 17. 32 — E,
como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros
diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez.
- tagarela. Um
termo depreciativo significando um catador de fragmentos ou um camelô de ideias
variadas.
O que podemos extrair desta
situação de Paulo junto aos filósofos era que, Paulo “falava” com eles, mas uma
maneira de dialogar e mostrar aqueles homens sábios que desconheciam as verdades
do Deus desconhecido.
Eles queriam ouvir Paulo falar
sobre o que consideram ser uma “nova doutrina” e “coisas estranhas”. Para eles
(filósofos e pensadores de doutrinas e ciências), aquelas são palavras
desconhecidas com significados desconhecidos.
Em outras palavras, ele não fazia
um discurso, mas mantinha uma conversa, um diálogo, com eles. Ele também fez
isso na igreja em Trôade (Atos 20:7). Essa discussão envolve os ouvintes. Isso
os força a pensar por si mesmos. Qualquer pessoa que converse com alguém também
deve ouvir atentamente para reconhecer o que está na mente da outra pessoa.
Paulo foi considerado um
falastrão, pois como escrevemos, acima, estes grupos de filósofos não
acreditavam em vida post-mortem e ou eram ligados ao panteísmo de deuses, nos
quais acreditavam, como, pois, creriam em vida posterior a que viviam?
Atos17.33,34
“E
assim Paulo saiu do meio deles. Porém, tendo chegado alguns homens até ele,
creram; entre os quais estava também Dionísio o areopagita, e uma mulher
de nome Dâmaris, e outros com eles.”
Apesar dos filósofos descartarem seguindo Paulo, contudo a pregação surtiu
efeito, com conversão de alguns, como já citamos, acima, mostrando que pregar o
evangelho é sempre útil e que vidas estão carentes de conhecerem a palavra e
além disto, Paulo tinha em seu coração a obrigação de pregar o Evangelho, a
todos e estava na missão de evangelização naqueles lugares.
Veja que
interessante o nome o convertido era Dionísio, nome de um deus grego!
Importante esta decisão de
Dionísio, como diz, Hermann Olshausen: “Dionísio o areopagita – um membro
desse tribunal. A tradição antiga diz que ele foi colocado pelo apóstolo sobre
um pequeno grupo de pessoas em Atenas. “Certamente o número de convertidos ali
e de homens aptos para o ofício na Igreja não era tão grande que pudesse haver
muita escolha” Fonte: Apologeta
“Portanto
Deus, tendo desconsiderado os tempos da vossa ignorância, agora anuncia a todos
as pessoas, em todo lugar, para que se arrependam”.
Afinal, o que ele viu não lhe
permitiu descansar. Afinal de contas, ele não estava na cidade
como turista, mas como pregador.
“A obra evangelística floresce
quando o coração, sensível ao Espírito, discerne os tempos e proclama com
ousadia a graça salvadora de Cristo”
Seu espírito se agitou dentro
dele quando viu tanta coisa errada e que levava as pessoas a um caminho errado.
Ele se sentiu compelido a prestar testemunho.
A importância da pregação de Paulo
no Areópago, nos mostra o compromisso de pregar a todos sobre a Verdade do
Evangelho e o compromisso com a missão, ainda que levado ali por circunstâncias,
no desvaneceu no coração do apóstolo o desejo de anunciar Cristo, fosse ao povo
comum, como aos filósofos que dominavam com suas teorias e pensamentos, que
inclusive até hoje são estudados, mas desconheciam ao Deus verdadeiro!
Fonte:
Dicionário Strong
Apologeta
Citações no corpo do texto
Bíblia ARC – Sociedade trinitariana
Lições CPAD – 3º Trimestre 2026
Site do autor
Champlin NT
Kingcomments - Paulo é levado ao
Areópago; O discurso de Paulo
Anexo:
http://estudandopalavra.blogspot.com/2020/01/a-unidade-da-raca-humana-licao-5-ebd-1.html
Houve um homem em Atenas que
creu, em seu tempo, no monoteísmo, chamava-se Epimênides, um cretense, a
quem Paulo chama de profeta dos de Creta. É ele, quem Paulo cita em sua
Epístola usando a chamada hipérbole. De acordo com Diógenes Laércio
(1.110), ele foi para Atenas na “Quadragésima sexto Olimpíada”
(596-593 a.C.) e livrou a cidade de uma praga.
Plutarco também relata a sua
visita a cidade e como o cretense livrou a cidade da praga ao escrever a
bibliografia do filosófico Solon.
Segundo Platão (Leis 642D), ele
foi para Atenas dez anos antes da Guerra Persa (ou
seja, 500 a.C.), e proferiu a profecia de que os persas
não viria por dez anos, e teriam o pior quando visem. Sendo que as
duas visitas estão separadas por mais de cem anos.
Diz a história que ele, foi
indiretamente o responsável pela criação do altar ao Deus desconhecido, segundo
a história. Segundo conta Diógenes Laertius, após uma grande seca, ou praga em
Atenas, após muitos sacrifícios aos deuses, e com ajuda de sacerdotes egípcios
e babilônicos tido como “esquisito” Epimênides, natural de
Cnossos (Ilha de Creta), sem resultado, Epimênides foi consultado. Epimênides
acreditava em um único Deus e era totalmente contra o politeísmo difundido em
Atenas.
Os habitantes ao recorrem a Epimênides e seu único “deus” são orientados que enviassem ovelhas para o Areópago e as deixassem livre, pois elas mostrariam o local onde se deveria criar um altar para o único Deus. As ovelhas então se instalaram em um local onde não havia nenhum outro altar. Ali, a pedido de Epimênides, foi construído um altar ao “Deus Desconhecido”. Só assim, então, choveu novamente em Atenas. A posição de Epimênides, não mostra uma conversão, mas mostra que ele também era um que escolhera um deus diferente de todos os outros e cria no monoteísmo, sem, contudo, conhecer o verdadeiro Deus.





