O Deus Espírito Santo
Lição 8 CPAD - 22
de fevereiro de 2026
Subsídio
do Pastor e professor Osvarela
Texto
“E eu rogarei ao Pai,
e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (Jo
14.16).
Prática
O Espírito Santo é a
Terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador,
Ensinador e Santificador da Igreja.
Leitura Bíblica
João 14.25-31.
25 — Tenho-vos
dito isso, estando convosco.
26 — Mas
aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos
ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
27 — Deixo-vos
a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o
vosso coração, nem se atemorize.
28 — Ouvistes
o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me amásseis, certamente,
exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.
29 — Eu
vo-lo disse, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós
acrediteis.
30 — Já
não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e nada
tem em mim.
31 — Mas
é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou.
Levantai-vos, vamo-nos daqui.
Objetivos da Lição:
I) Mostrar que o Espírito
Santo é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho;
II) Evidenciar a plena
divindade do Espírito Santo e seus atributos;
III) Ressaltar as
principais obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e santificação.
INTRODUÇÃO:
O Espírito Santo, como O
Pai, e O filho é aionios, ou seja, é Eterno.
O estudo da Trindade é
composto de três linhas, conforme o entendimento de nós que acreditamos nesta
Doutrina Teológica.
A Pessoa do Espírito
Santo é a que, embora, presente desde o primeiro texto no Genesis, é a que
menos, aparentemente, tem informações sobre sua pessoa. Embora, haja sempre em
todos os momentos desde o Princípio Eterno como Deus, que é.
“E não entristeçais
o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.” Efésios
4:30
É a Terceira Pessoa da
Trindade com características pessoais, como ciúmes, desagrado, tristeza e
outras características que iremos aprender ao longo deste subsídio, como o
Filho aparece de várias maneiras ou é apresentado de varias formas e nomes nas
Escrituras.
“Pedro: Ananias, por que
encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, ...”
Atos 5:3
Também houve muita
dificuldade de entende-la como Uma Pessoa, sendo muitas vezes confundida
propositadamente ou não, como uma força, como uma manifestação.
Mas, o Espírito do
Senhor age em todas a páginas das Escrituras, em todos os eventos bíblicos e
mormente de forma presente e universal, a partir da manifestação da Igreja ao
mundo.
Nos Escritos
Neotestamentários é manifesto claramente como a pomba que sobrevoa no momento
do batismo do Filho Jesus O Cristo.
Agente motor e importante
na manutenção do Universo, Ele tem o poder do convencimento e tem nas suas
revelações aos homens, a atividade de apresentar e falar do que ouviu da
Trindade em toda a Verdade!
“E o Espírito é o que
testifica, porque o Espírito é a verdade.” 1 João 5:6
Atua na Advocacia divina,
e age como Paracleto de Jesus Cristo.
Como pessoa tem
sentimentos que compartilha conosco e tem toda a característica divina, entre
elas as mais conhecidas e difundidas quanto a Deus, assim tem: Onisciência,
Onipotência, Onipresença!
“Mas nós não recebemos o
espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que
pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.” 1 Coríntios
2:12
Espírito Santo, é Ele quem reage a certos atos praticados pelos seres humanos. Os principais são o
intelecto, a emoção e a vontade, entre os demais. O Espírito é inteligente e
raciocina (1Co 2.10,11; Rm 8.27);
Ele tem emoção e
sensibilidade, pois ama e pode se entristecer (Rm 15.30; Ef 4.30);
É volitivo, isto é, tem
vontade própria. Ele não permitiu que Paulo com sua comitiva se dirigissem à
Bitínia (At 16.7).
O Espírito Santo
distribui os dons espirituais conforme a Sua vontade: “Mas um só e o mesmo
Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como
quer” (1Co 12.11) ou “distribuindo a cada um particularmente como lhe apraz”
(TB — Tradução Brasileira).
No Plano da Salvação
tem papel fundamental, como O Pai e O Filho.
Declaração de fé das AD’s
– CGADB:
“O
Pai planejou a redenção, e o Filho, ao ser enviado ao mundo, realizou-a. Quando
o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho
para ser o Consolador e Ensinador.”
Como conhecedor e agente
da Salvação age no convencimento do pecado, e da justiça, afim de levar o homem
a entender a necessidade salvífica da Obra do Filho, no Plano da Salvação por
esta ação dá liberdade de livre arbítrio e o homem não pode ser acusado de
desconhecer a Voz divina que o chama à Salvação.
“E, quando ele vier, convencerá
o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” João 16:8
Tem como pessoa divina,
Obras que realiza em toda a extensão da ação divina, seja inerente a
Humanidade, ao Cosmo e ao Universo.
Na Obra da Igreja sua
ação é fundamental na expansão do Evangelho: “E, quando chegaram a Mísia,
intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu” Atos 16:7
Sua ação na manifestação
da Igreja, enviado pelo Pai, a pedido do Filho foi a Obra de preparação com
revestimento de poder para anunciação e luta contra a potestades que tentariam
impedir o crescimento da Igreja e Sua ação é fundamental para crescimento,
mantença e futuro da Igreja, até aos nossos dias.
“E
isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem;
porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter
sido glorificado.” João 7:39
Da Sua manifestação e
interiorização nos indivíduos no AT, quando tomava a vida de alguns, até ao Dia
de Pentecostes quando Sua presença se interioriza na vida de todo que crer e
aceita Jesus como Salvador, O Espírito Santo agora mora em nós.
“Não
sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
1 Coríntios 3:16
“Então
o Espírito do Senhor tão poderosamente se apossou dele” Juízes 14:19
Etimologia:
πνευμα - pneuma;
n. n. terceira pessoa da trindade, o Santo Espírito, co-igual, coeterno com o
Pai e o Filho - algumas vezes mencionado de um modo que enfatiza sua
personalidade e caráter (o Santo Espírito) - vezes mencionado de um modo que
enfatiza seu trabalho e poder (o Espírito da Verdade) - nunca
mencionado como uma força despersonalizada; espírito que dá
vida; um movimento de ar (um sopro suave); do vento; daí, o vento em si mesmo;
respiração pelo nariz ou pela boca.
“Mas
ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a
glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus;” Atos
7:55
πνευματικος – pneumáticos;adj. que pertence ao Espírito Divino - de Deus, o Espírito Santo - alguém que está cheio e é governado pelo Espírito de Deus - relativo ao vento ou à respiração; ventoso, exposto ao vento, que sopra. - espiritualmente: i.e., pela ajuda do Santo Espírito;
παρακλητος - parakletos;
n. m.
chamado, convocado a estar do lado de alguém, esp. convocado a ajudar
alguém; alguém que pleiteia a causa de outro diante de um juiz,
intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado; pessoa que
pleiteia a causa de outro com alguém, intercessor; de Cristo em sua exaltação à
mão direita de Deus, súplica a Deus, o Pai, pelo perdão de nossos pecados; no
sentido mais amplo, ajudador, amparador, assistente, alguém que presta socorro;
do Santo Espírito, destinado a tomar o lugar de Cristo com os apóstolos (depois
de sua ascensão ao Pai), a conduzi-los a um conhecimento mais profundo da
verdade evangélica, a dar-lhes a força divina necessária para capacitá-los a
sofrer tentações e perseguições como representantes do reino divino.
- O termo
grego paraklētos vem da preposição pará, “ao lado de, próximo”,
e do verbo kaléō, “chamar, convocar”, de modo que essa palavra significa
“defensor, advogado, intercessor, auxiliador, ajudador”. O Paracleto, então, é
o Consolador.
αλλος - allos;
adj. outro, diferente
αιωνιος - aionios;
adj. sem começo e nem fim, aquilo que sempre tem sido e sempre será; sem
começo; sem fim, nunca termina, eterno
DISCURSO:
Entendendo a Teologia da
Trindade didaticamente:
"A Teologia é
a gramática do Espírito Santo." - Martinho Lutero.
Primeiro -
temos a Teontologia é o ‘locus’ (área de estudo) da teologia sistemática que
trata do estudo de Deus e, especificamente, de Deus Pai.
Segundo – temos
a Cristologia
Terceiro – temos
a Pneumatologia, demonstrando a pessoalidade do Espírito Santo na Trindade, de
tal forma, que há como estudar suas características, atributos, como uma pessoa
divina.
A Trindade é apresentada
numa - Pericorese:
É importante entender a
posição do Espírito Santo como parte uma na Trindade.
Alguns termos podem ou
tentam dar explicação a esta posição, entre eles, o termo pericorese.
Da etimologia do latim: O
termo usado para explicar a comunhão das Pessoas da Trindade é pericórese
(latim, circumincessio). O sentido seria o fato de envolver – circum – e entrar
numa profunda intimidade. Cada membro da Trindade, em algum sentido, habita no
outro, sem diminuição da total pessoalidade de cada um.
Base
Bíblica e Teológica: Frequentemente associada à
oração de Jesus em João 17:21 ("que todos sejam um, como tu, Pai, estás em
mim e eu em ti") e João 14:10.
Da etimologia no Grego: A
palavra pericorese – περιχώρησις vem de duas
palavras gregas, peri, que significa "em torno de"
e chorein, que significa "ceder" ou "dar lugar".
Pode ser traduzida como "rotação" ou "uma volta ao
redor". Pericorese não é encontrada no Novo Testamento em grego,
mas é um termo teológico usado em três contextos diferentes.
Pericorese é vista
na oração de Jesus em João 17:1: "Depois de falar essas coisas, Jesus
levantou os olhos ao céu e disse: Pai, chegou a hora. Glorifica teu Filho, para
que também o Filho te glorifique". Comparamos isso com João 16:14,
onde Jesus diz que o Espírito Santo "Me glorificará". Assim, o
Espírito Santo glorifica o Filho, o Filho glorifica o Pai e o Pai glorifica o
Filho. As relações amorosas dentro da Trindade resultam nas Pessoas da Trindade
glorificando umas às outras.
Quem é O Espírito Santo?
Mencionado desde a
primeira linha das Escrituras, juntamente apresentado na Palavra Elohim e desde
sempre trabalhando em conjunto com O Pai e O Filho no segundo versículo:
Genesis 1.1 No
princípio criou Deus os céus e a terra.2 E a terra era sem forma e vazia;
e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a
face das águas.
1 Εν αρχη εποιησεν ο
Θεος τον ουρανον και την γην.2 Η δε γη ητο αμορφος και ερημος· και σκοτος
επι του προσωπου της αβυσσου. Και πνευμα Θεου εφερετο επι της επιφανειας των
υδατων.
1 בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָֽרֶץ ׃
2 וְהָאָרֶץ הָיְתָה תֹהוּ וָבֹהוּ וְחֹשֶׁךְ עַל ־ פְּנֵיתְהוֹםוְרוּחַאֱלֹהִיםמְרַחֶפֶתעַל ־ פְּנֵיהַמָּֽיִם ׃
O verbo “criou” está no
singular, e o sujeito Elohim, “Deus”, no plural, o que revela uma
pluralidade na deidade.
“O Espírito
Santo não é uma parte da Divindade, mas, sim, Deus em toda a sua
plenitude e, por isso mesmo, é incriado, autoexistente e absolutamente
autônomo.” Declaração de Fé das Assembleias de Deus - CGADB
Escrever sobre o Espírito
Santo é uma importante missão no estudo da Trindade.
conhecido pelos crentes
pelo nome singular de Espírito Santo, O Consolador tem outros
nomes e títulos mencionados nas Escrituras (devemos reconhecer que O Pai e O
Filho, também têm a diversidade de nomes e títulos):
Espírito de Deus,
Espírito do Senhor, Espírito de Jesus, Espírito de Cristo, Espírito da Graça,
Espírito da Glória, Espírito de Vida, Consolador e Espírito da Verdade.
Também podemos descrever
conforme a relação e inspiração junto a nós:
Relacional com o Homem em
nome em seus atos:
O Consolador (João 14.26,
João 15, 15.26, 16.7 e comparar com 1ª João 2.2).
Santo Espírito da
Promessa (Efésios, 1. 13 e Atos 1.4);
Espírito da Verdade
(João, 15.26, 14.17, 16.13 e 1ª João, 4.6 e 5.6);
Espírito Purificador,
(Isaias, 4.4 e Mateus 3. 11);
Espírito da Vida (Romanos
8.2);
Espírito da Graça (1ª
Pedro 4.13 e 14 e Efésios 3.16-19 e Romanos 8.16-17);
A diversidade de nomes
pode ser apresentada de forma intercambiável como apresentação ou definição de
Deus nas Escrituras.
Deus pleno como O Pai e O
Filho e com atribuições de divindade desde a Eternidade compreensiva, com
limitações à mente humana.
O Espírito Santo é um ser
auto-existente, existente na premissa do princípio que chamamos de: “Principium
essendi”. Ou seja, Princípio existente ou auto existência.
No estudo da
teologia reformada, o principium essendi de todas as coisas é
Deus, o criador.
“Pericorese é
usada no contexto da Santíssima Trindade para denotar uma interpenetração das
pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Cada pessoa permanece distinta
das outras, mas participa plenamente em seu Ser e ação como um.” Thiselton, Anthony C. The Thiselton Companion to
Christian Theology. Grand Rapids, MI; Cambridge, Reino Unido: William
B. Eerdmans Publishing Company, 2015.
As atividades-Obras do
Espírito Santo:
“No
princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e
havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a
face das águas.” Gênesis 1:1,2
No Universo:
“Pelo seu Espírito ornou os céus” (Jó 26.13); e na criação: “Envias o
teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104.30);
Assim como O Filho e O
Pai, O Espírito Santo tem sob sua atuação no mundo espiritual e até mesmo no
mundo físico, atividades geradas pelas suas Obras. As Escrituras apresentam
estas obras do Espírito, que se iniciaram antes mesmo da Criação da Terra,
quando esta era sem forma e vazia, como relata o livro do Genesis. A inspiração
das letras sagradas é obra do Espírito Santo soprando a Palavra aos escritores,
usando a capacidade e a relação com Ele, para que escrevessem, ao ouvirem a Sua
fala verbalizada.
Ao longo das páginas das
Escrituras O Espírito Santo vai atuando com sua Obras, chegando a Plenitude
temos a sua Obras em manifesta ação junto a Igreja e na ação da vida do Filho,
na encarnação, na sua morte e ressurreição e seu derramamento sobre os
da Igreja, no Dia de pentecostes.
Na Salvação:
Na Plenitude dos tempos, O
Filho encarna como homem, no ventre de Maria, isto se deu por Obra do Espírito
Santo.
1- Na
Encarnação:
Atuou na encarnação e
revelou a chegada do Filho encarnado. A atuação na encarnação é um dos
mistérios de fé, gerando um menino pela sua ação divina Criadora de vida, por
isto é chamado de Espírito de vida.
“A
encarnação é o mais profundo de todos os mistérios e o milagre no que todos os
outros milagres estão ocultos…” (J. Stuart Holden, The Price of Power [O Preço do
Poder], p. 49)
Foi pela concepção do
Espírito Santo que o eterno Filho de Deus se tornou o Filho do Homem; e
1. é
claro que o nascimento virginal possibilitado pelo Espírito Santo era
necessário para preservar o Messias de toda impureza do pecado;
2. O
nascimento virginal não criou uma pessoa, mas um corpo e uma natureza humana;
3. esta
natureza humana era da substância de Maria, única e sobrenatural, constituída
por todos os elementos de nossa própria natureza humana;
4. A
natureza humana de Cristo sofreu o processo de desenvolvimento exato de
crescimento físico, crescimento racional e crescimento moral como qualquer
outro ser humano;
5. Deus
encarnado foi formado pelo Espírito Santo.
Anunciou a chegada e o
momento do nascimento do menino Deus encarnado.
“José, filho de Davi, não
temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do
Espírito Santo; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque
ele salvará o seu povo dos seus pecados.” Mateus 1:20,21
Antes do Nascimento.
Simeão, sobre quem o Espírito Santo estava (prova de que O Espírito nunca
deixou de agir) é avisado por divina revelação, pelo Espírito Santo. da chegado
de Jesus, informado que o Espírito Santo agiria para este acontecimento único
no Universo, e assim o mesmo Espírito o levou ao Templo.
“Havia em Jerusalém um
homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando
a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado,
pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do
Senhor. E pelo Espírito foi ao templo, ...” Lucas 2:25-27
No Batismo:
2- No
momento da revelação de Jesus para iniciar seu ministério, como
ocorrera com Simeão, João O Batista, fora avisado como saberia quem era o
Filho, como ele mesmo anuncia, O Cordeiro de Deus, preparado para Obra da
Salvação e anunciado ao mundo, na plena manifestação da Trindade.
“E João testificou,
dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre
ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me
disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar,
esse é o que batiza com o Espírito Santo.” João 1:32,33
A descida do Espírito
Santo sobre Cristo (sob a forma corpórea e visível de uma pomba), é
significada a unção para o Seu tríplice ofício de Profeta,
Sacerdote e Rei;
Esta unção também foi
Sua ordenação em Seu tríplice obra de Profeta, Sacerdote e
Rei.
No Ministério de Jesus:
Para entender a ação do
Espírito Santo e a relação no ministério de Jesus é importante entender: “Cristo,
possuía o Espírito Santo plenamente, sem medida. A relação entre Cristo e o
Espírito Santo é necessariamente definida pela união hipostática das duas
naturezas de Cristo.”
Sua revelação como O
Messias e sua atividade, na sinagoga de Sua cidade natal em Nazaré;
“E
foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar
em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim,” Lucas
4:17,18
Quando Ele se levanta
para ler as Escrituras Sagradas (sendo Ele um rabino), Jesus interrompe o
calendário normal de leitura do dia de Sabbath voltando-se deliberadamente para
Isaías 61:1-3, a passagem profética que informa que o Messias seria ungido com
o Espírito de Deus.
Ao concluir a leitura,
Jesus entrega o pergaminho de volta ao atendente e anuncia: “Hoje se cumpriu
esta Escritura em vossos ouvidos”.
O Messias começa Seu
ministério sob a unção do Espírito Santo, o que é confirmado por Lucas em Atos
10:38: “…Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo
e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos
do diabo, porque Deus era com ele”.
Obra do Espirito Santo na
vida de Jesus:
Na concepção
No início do ministério e
apresentação a todos no Batismo
No momento pós batismo no
deserto
Como anunciador de Boas
Novas
Na realização dos
Milagres
Na Redenção
No momento mais agudo:
Expiação e Ressurreição
Sua vitória sobre a
tentação, que foi real e intensa, não estava no poder de Sua
divindade essencial, mas na unção e no poder do Espírito Santo sobre Sua
humanidade.
Diferente de Simeão (o
Espírito Santo estava sobre ele), Jesus é apresentado como CHEIO,
esta é a nova atividade do Espírito Santo pós Plenitude e encarnação do Verbo!
“E
Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo
Espírito ao deserto;” Lucas 4:1
Seu início do
ministério evangélico (Lucas 4:14-21, “Então, pela virtude do Espírito, voltou
Jesus para a Galiléia…”)
Após os quarenta dias de
tentação no deserto, Lucas nos informa de forma pungente que Jesus voltou, não
pela Sua própria, mas “pela virtude do Espírito”, ou seja,
impulsionado pelo Espírito;
Jesus em alguns momentos
de seu ministério teve embates, tristezas, mas em um momento ele se alegrou, e
esta alegria fora através do Espírito Santo:
“Naquela
hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou,
ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e
instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu
agrado” Lucas 10:21
Na Expiação e
Ressurreição:
Sua expiação (Hebreus
9:13-14: “que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus”)
Para entender devemos nos
lembra da concepção virginal - porque o que nela está gerado é do Espírito
Santo - do Jesus (O corpo, que foi preparado pelo Espírito Santo no ventre
de Maria, era um corpo real como o nosso):
Ele foi auxiliado em Sua
agonia e sustentado em Seu corpo pelo Espírito Santo para não ser consumido
pela ira de Deus;
Ora, todas essas coisas
sendo operadas na natureza humana de Cristo pelo Espírito Santo, Ele é dito
oferecer-Se a Deus através do Espírito eterno (John Owen, Obras, Vol. 4, pp.
391ff).
Na ressurreição há
novamente a ação dos demais elementos da Trindade para este importante momento
na Obra da Salvação. O
Pai foi o Planejador, o Filho foi o Consumador, mas o Espírito Santo foi o
Administrador divino do Pacto da Redenção através do Pacto da Graça!
Entendemos e estudamos
que o Espírito Santo também é chamado de Espírito de Vida.
“Se
habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos,
esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará
também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita” Romanos
8:11
Na vida do crente:
João 14.25 — Tenho-vos
dito isso, estando convosco. 26 — Mas aquele Consolador, o
Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e
vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
Enviado pelo Pai, O
Espírito Santo é o agente Consolador na vida do crente, é a a garantia da
relação com o Filho e o Pai.
É o Espírito que comunica
com O Pai as nossas necessidades, quando não as conseguimos verbalizar.
O que chamo de dupla
intercessão O Espírito Santo, pois o Intercessor é Jesus, no concernente a
Salvação, mas O Pai deixou um canal aberto, após a Igreja ser estabelecida, de
forma que as necessidades do crente em alguns momentos passam pelo Filho, mas o
Espírito as verbalizas, quando não sabemos como pedir, mas o que examina os
corações sabe qual é a intenção do Espírito nestes momentos de fraqueza.
“E
da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não
sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito
intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os
corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus
intercede pelos santos.” Romanos 8: 26,27
Mesmo em situações de
perseguição – “Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que
deveis falar.” Lucas 12:12
É Nele que somos
batizados pelo Filho (vos batizará com Espírito Santo e com fogo) somos cheios e
Ele concede outras línguas, dons espirituais, manifestações de poder:
“E
todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras
línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.” Atos
2:4
O Espírito Santo, como
dito neste estudo, tem como templo o próprio crente, desta forma Ele não divide
sua posição na vida do crente.
“E
não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da
redenção.” Efésios 4:30
Também entre as ações do
Espírito está a santificação, exatamente pela presença d’Ele no crente. Esta
presença é o penhor da salvação do crente. É a presença divina na vida do
crente.
Age também na consciência
sobre Cristo: “Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a
minha consciência no Espírito Santo):” Romanos 9:1
Por ser a terceira Pessoa
da Trindade, não há como alguém obter perdão se blasfemar contra a Sua Pessoa
divina (comparando judicialmente não haveria instancia para concessão de
perdão; mas, creio que a blasfêmia contra Ele, não é em hipótese alguma aceita
pelo Pai, pelo Filho pois atinge a própria constituição da Trindade)
“Qualquer,
porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá
perdão, mas é culpado do eterno juízo” Marcos 3:29
Na Vida Da Igreja:
O Espírito Santo foi
derramado sobre a Igreja para impulsioná-la, encorajá-la, guiá-la e capacitá-la
na prática, testemunho e pregação do Evangelho. Desde o início da Igreja O
Espírito Santo atuou nas ações da Igreja e isto ficou registrado no livro Lucano
dos Atos dos Apóstolos. No dia de Pentecostes, o
Espírito Santo desceu para realizar “o batismo da igreja no Espírito”, selar
todo aquele que crê em Cristo e instruí-los a fim de que pudessem reproduzir os
ensinamentos do Senhor.
“E,
passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo
Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia.” Atos 16:6
No crescimento da Igreja
os discípulos foram guiados e orientados sobre as viagens apologéticas.
“E,
servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me
a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13:2
As decisões da Igreja
passavam pelo que o Espírito Santo ensinava como deveria agir, para que as
decisões fossem benéficas e aprovadas por Deus, permitindo o avanço da Obra.
Desde a escolha dos
diáconos, quanto ao envio dos discípulos para missões missionarias.
Em outras situações o
Espírito Santo impediu certas movimentações missionárias, para que o pretendente
a fazer missão em certas localidades, fosse o aprovado pelo Espírito.
Ainda, o Espírito é
citado como aprovador e orientador de decisões - “pareceu bem ao Espírito
Santo e a nós”, como nas decisões do Concílio Apostólico a respeito da
orientação doutrinaria para a vida dos gentios na igreja:
“Na
verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais
encargo algum, senão estas coisas necessárias:” Atos 15:28
“E,
quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os
decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.
De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número.
E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo
Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia,
intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu. E, tendo
passado por Mísia, desceram a Trôade.” Atos 16:4-8
Estas ações fazem parte
da Obra do Espírito para o crescimento e cuidado da Igreja, para o que foi
Enviado.
No Mundo ou Universo:
João 14.30 — Já
não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e nada
tem em mim.
31 — Mas
é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou.
Levantai-vos, vamo-nos daqui.
No plano espiritual, que
infere também o mundo físico, a ação do Espírito é, como desde sempre,
fundamental para organização e estabelecimentos da Verdade da Trindade.
É necessário que o mundo
saiba que Jesus é agente com o Pai e faça o que o Pai e Ele acordaram, e pra
isto a posição de convencedor do Espírito é fundamental ainda que sempre sob a
visão de volição de cada pessoa em aceitar ou não.
Concluímos:
“E eu rogarei ao Pai,
e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (Jo
14.16).
Jesus sabia e viveu a
plena ação do Espírito Santo como homem (a conexão do Espírito Santo sendo
dado a Cristo “sem medida” pertence a Sua plena humanidade!) e solicitou ao
Pai o envio deste Ser divino para dar apoio e falar da Verdade a Igreja e para
convencer aos pecadores sobre a possibilidade de serem salvos por sua Obra na
Cruz, após sua Assunção. A ação do Espírito Santo na vida cristã é,
portanto, crucial para o crescimento espiritual, a edificação da Igreja e a
propagação do evangelho.
A Obra do Espírito Santo
continua e foi e é fundamental na Obra da Redenção, no Universo e mesmo no
plano celestial e no combate as tentações do diabo, que Jesus como homem nos
deu o exemplo, a resistir a toda tentação do inimigo.
“O Espírito Santo foi
derramado sobre a Igreja para impulsioná-la, encorajá-la, guiá-la e capacitá-la
na prática, testemunho e pregação do Evangelho. O Senhor Jesus disse que o
Espírito Santo daria testemunho dele, o glorificaria e nos guiaria a toda a verdade.
Ninguém pode viver o
Evangelho, pregar o Evangelho e se deleitar na presença do Senhor Jesus se não
estiver cheio do Espírito Santo. Foi isso que a Igreja do primeiro século
experimentou. Os discípulos estavam tão convictos da fé em Jesus Cristo que não
se importavam com prisões, açoites e nem reprovação das autoridades. Eles
entenderam que obedecer a Deus era a sua grande missão, o sentido da vida.
O crente cheio do
Espírito Santo prega com intrepidez, ora com fervor e torna-se luz para todos
os que estão ao seu redor.” O
ESPÍRITO SANTO IMPULSIONA A IGREJA - Pr. Eloízio Coelho
“A graça do Senhor
Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam
com todos” 2 Coríntios 13:13
Fonte:
Lição CPAD – 1º trimestre
2026
Site estudantes da Bíblia
O Espírito Santo na Vida
e no Ministério de Jesus Cristo: Um Esboço do Capítulo 8.3 da Confissão de Fé
Batista de 1689 - The Founders Journal • Outono de 2014
Dicionário Strong
Apontamentos do autor
A Pericorese Na Trindade,
Na Igreja E No Casamento. Jorge
Augusto Barbosa de Sales Dias E Daniel Aquino Torgan; Perichoresis In The
Trinity, In The Church And In Marriage.
Conceito E Objeto Em
Tomás De Aquino; Raul Landim Filho; PPGLM/UFRJ/CNPq; ANALYTICA, Rio de Janeiro,
vol 14 nº 2, 2010, p. 65-88;
Livro – Escudo
Pentecostal – uma visão panorâmica das principais doutrinas pentecostais,
Jefferson Rodrigues.
Citações no corpo do
texto:
https://estudandopalavra.blogspot.com/2021/01/licao-1-cpad-janeiro-2021-pessoa-do.html
https://estudandopalavra.blogspot.com/2025/03/quem-e-o-espirito-santo-licao-9-cpad.html
gotquestions.org/Portugues/pericorese.html
defendendoafe.com.br/pericorese-o-que-e-e-e-biblico/
https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/1789/1/Sonia%20Regina%20Lyra.pdf
https://revistas.ufrj.br/index.php/analytica/article/view/598/554
ANEXO:
Da etimologia no Grego: A
palavra pericorese – περιχώρησις vem de duas
palavras gregas, peri, que significa "em torno de"
e chorein, que significa "ceder" ou "dar lugar".
Pode ser traduzida como "rotação" ou "uma volta ao
redor". Pericorese não é encontrada no Novo Testamento em grego,
mas é um termo teológico usado em três contextos diferentes. No
primeiro, pericorese se refere às duas naturezas de Cristo em
perfeita união na mesma Pessoa. No segundo contexto, pericorese se
refere à onipresença de Deus, enquanto Ele "intersecciona" com toda a
criação (veja Atos 17:28). No terceiro contexto, refere-se à interseção
mútua, ou "interpenetração", das três Pessoas da Trindade, o que pode
ajudar a esclarecer o conceito da Trindade. É um termo que expressa a
intimidade e reciprocidade entre as Pessoas da Trindade. Um sinônimo
de pericorese é circumincessão do latim.
Pericorese é vista
na oração de Jesus em João 17:1: "Depois de falar essas coisas, Jesus
levantou os olhos ao céu e disse: Pai, chegou a hora. Glorifica teu Filho, para
que também o Filho te glorifique". Comparamos isso com João 16:14,
onde Jesus diz que o Espírito Santo "Me glorificará". Assim, o
Espírito Santo glorifica o Filho, o Filho glorifica o Pai e o Pai glorifica o
Filho. As relações amorosas dentro da Trindade resultam nas Pessoas da Trindade
glorificando umas às outras.
Pericorese é
a comunhão de três Pessoas co-iguais perfeitamente abraçadas em amor e harmonia
e expressando uma intimidade que ninguém pode compreender humanamente. O Pai
envia o Filho (João 3:16), e o Espírito procede do Pai e foi enviado pelo Filho
(João 15:26) - outro exemplo de pericorese, com o resultado de que o povo
de Deus é abençoado.
“Um termo usado na teologia da Trindade para indicar a união
íntima, habitação mútua ou interpenetração mútua dos três membros da Trindade
entre si. Também usado para a relação das duas naturezas de Cristo.” McKim, Donald K. The Westminster
Dictionary of Theological Terms, Second Edition: Revised and Expanded. Westminster John Knox Press. Edição Kindle.
“Como a essência da Divindade é comum a várias pessoas, elas têm
uma inteligência, vontade e poder comuns. Não há em Deus três inteligências,
três vontades, três eficiências. Os três são um Deus e, portanto, têm uma mente
e vontade. Esta união íntima era expressa na Igreja grega pela palavra
perichoresis, que as palavras latinas inexistentia, habitatio e intercommunio
eram usadas para explicar.” Hodge, Charles. Teologia Sistemática,
Completa; Vol. 1: Introdução, vol. 2: Parte 1, Teologia
adequada; Parte 2, Antropologia; Parte 3,
Soteriologia; Vol. 3: Parte 4, Escatologia (com índice
ativo). Edição Kindle.



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