Uma prova de fé: a entrega de Isaque
Lição 7 CPAD - 17
de maio de 2026
Texto
“E disse: Toma agora o teu
filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e
oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” (Gn
22.2).
Prática
Abraão confiava no Senhor a ponto
de dizer ao seu filho: “Deus proverá para si o cordeiro”.
Leitura Bíblica
Gênesis 22.1-11.
1 — E
aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão!
E ele disse: Eis-me aqui.
2 — E
disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te
à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu
te direi.
3 — Então,
se levantou Abraão pela manhã, de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou
consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e fendeu lenha para o
holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera.
4 — Ao
terceiro dia, levantou Abraão os seus olhos e viu o lugar de longe.
5 — E
disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos
até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós.
6 — E
tomou Abraão a lenha do holocausto e pô-la sobre Isaque, seu filho; e ele tomou
o fogo e o cutelo na sua mão. E foram ambos juntos.
7 — Então,
falou Isaque a Abraão, seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu
filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o
holocausto?
8 — E
disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho.
Assim, caminharam ambos juntos.
9 — E
vieram ao lugar que Deus lhes dissera, e edificou Abraão ali um altar, e pôs em
ordem a lenha, e amarrou a Isaque, seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima
da lenha.
10 — E
estendeu Abraão a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho.
11 — Mas
o Anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus e disse: Abraão, Abraão! E ele disse:
Eis-me aqui.
Objetivos da Lição:
I) Mostrar que Abraão teve a sua
fé provada mesmo sendo fiel a Deus;
II) Refletir a respeito da
promessa que foi confirmada na vida de Abraão;
III) Expor que Abraão não
titubeou em oferecer a Deus seu único filho.
Texto Apoio
“E chamou Abraão o nome daquele
lugar: o Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No
monte do Senhor se proverá.” Gênesis 22:14
Discurso:
“Sacrificar o que é dos outros é
fácil, o segredo é sacrificar o que é nosso, ou o nosso melhor!” Osvarela
“O Ato do Monte do sacrifício –
Moriá - sugere que há uma diferença entre sacrificar algo de si mesmo e
sacrificar algo dos outros.”
Na Bíblia, o pedido de Deus a
Abraão para que oferecesse seu filho em um altar surge do nada.
Histórico - A literatura
judaica cita este ato como:
A Akedá -
A Amarração de Isaac (va-ya'akod) - Episódio mais
conhecido como “o sacrifício de Isaac” que, na prática, não ocorreu; apenas se
limitou à colocação e à amarração de Isaac sobre o altar. Se refere à ação central da
história, quando Abraão amarra seu filho Isaque no altar para sacrificá-lo.
Akedah (ou
Akedá, ʿAqedah, עֲקֵדָה) é uma
palavra hebraica que significa "ligação" ou "amarração",
referindo-se especificamente ao sacrifício de Isaque por Abraão, descrito
em Gênesis 22:1–19. Representa a obediência extrema de Abraão, que
amarra seu filho no altar no monte Moriá, simbolizando o teste supremo de fé e
o martírio no judaísmo.
A história do pedido de Jeová ao
seu fiel servo Abraão, para sacrificar o seu filho do ventre do casal,
considerado seu legitimo filho na relação familiar, é uma das mais
impressionantes e discutidas histórias de como um Deus poderia fazer este
pedido a um homem como uma prova de Fé e confiança no seu Deus.
Esta história apresenta:
A suprema
obediência a Deus, a fé inabalável de Abraão e a confiança de Isaac.
“Ninguém,
sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não
pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.” Tiago 1:13
Na realidade, aos que estudam e
conhecem e creem em um Deus como o nosso Deus, sabemos que este Deus é
possuidor de um caráter único moral e justo corroborado pelas suas
características divinas, como Onisciência, Onipotência que garantem, juntas,
que jamais Ele exigiria algo que não fosse possível ao seu servo Abraão deixar
de obedecer a um estranho e difícil pedido por parte D’Ele.
“Não veio
sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará
tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape,
para que a possais suportar.” 1 Coríntios 10:13
A primeira visão dos que leem
esta história é ligar a prova a uma tentação divina, algo que contradiz a
divindade única existente no Universo, porque Ele é justo, não tenta ninguém,
mas prova aos que o amam, comum único objetivo: fazer crescer em nós a fé e
confiança N’Ele, que nos capacita para experiencias novas e únicas e
confirmação das promessas que nos faz.
Gênesis
22.1 — E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus
a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.
A palavra tentação é uma
corruptela filológica da palavra prova, no sentido positivo desta como um teste
possível de ser aprovado.
Tentações (peirasmoi) é uma
palavra que tem um sentido duplo de provações exteriores e tentações
interiores. Neste contexto, a melhor tradução é “provações” (ARA). É o caso do
uso da palavra no texto de Gênesis “- , depois destas coisas, que tentou
Deus a Abraão -)
A palavra tentação (Tg.1.12)
tem dois significados gerais. Um desses significados refere-se a aflições,
perseguições ou provações diante de circunstâncias providenciais. É nesse
sentido que Tiago usa a palavra mais no início desse capítulo e no versículo.
Há uma estrutura nesta passagem
bíblica que podemos demonstrar -
1)
a ordem divina (Gn.22.2)
2) o ato
de obediência (Gn.22.3-10)
3) a
bênção resultante (Gn.22.11-19).
É sob esta estrutura textual que
podemos suportar este subsídio.
A ordem é clara
A obediência é clara
A benção é definitiva - para o
velho patriarca, como que, coroando uma relação entre Deus e o homem Abraão
para iniciar uma épica construção de uma Nação sobre o elemento vital desta
relação - a Fé!
Todos os envolvidos no ato da
ordem, no ato e na conclusão interagem, seja Deus, seja o Abrão, o pai desafiado,
e filho Isaque que obedientemente acompanha o pai, em quem confiava plenamente
e tinha aprendido sobre adorar e oferecer sacrifícios a Deus, na forma que
Abraão usava e que ele demonstra ao analisar os elementos do sacrifício requerido
e notar a falta do fundamental (porque o sacrifício era previamente escolhido):
“— Então,
falou Isaque a Abraão, seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me
aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o
cordeiro para o holocausto?”
Foco principal de um altar de
sacrifício o cordeiro não estava sendo levado na carga dos elementos para a
adoração. Mas, Isaque não sabia e demonstra que não conhecia o que Deus exigira
a seu pai; ele mesmo como sacrifício!
A posição de Isaque - A idade
de Isaque:
Gn.22.7 — Então,
falou Isaque a Abraão, seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu
filho!
A idade de Isaque é um dos
axiomas deste texto. Mas, há duas correntes sobre a idade do mesmo, citamos
aqui, uma delas:
Qual
era exatamente a idade de Isaac? Alguns comentaristas acreditam que ele tinha
37 anos. Outros acreditam que Isaac tinha
26 anos. (é evidente que Isaac era um homem adulto na época
de seu aprisionamento. Ele compreendia perfeitamente o que lhe estava
acontecendo e, sem dúvida, poderia ter facilmente subjugado seu pai idoso e
fugido. Contudo, ele não fez tal coisa. Pacientemente, permitiu que seu pai o
preparasse para o sacrifício – até o momento final em que o anjo interrompeu a
provação. Conhecendo
a retidão de seu pai, ele confiava que Abraão só faria tal ato se Deus o
ordenasse.)
A
base para essa crença é que o sacrifício parece ter ocorrido imediatamente
antes da morte de Sara (o próximo episódio, Gênesis 23). Como Sara tinha
90 anos quando Isaac nasceu (ver Gênesis 17:17 e 21:5) e morreu
aos 127 (23:1), Isaac tinha 37 anos naquela época. (Fonte: Seder Olam
(Cap. 1), ver Rashi em Gênesis 25:20.)
Isaac (Yitzchak,
em hebraico) é o segundo dos patriarcas do povo judeu. Filho de Abraão e Sara,
marido de Rebeca e pai de Esaú e Jacó, ele é mais
conhecido por seu papel central no Sacrifício de Isaac, quando
quase foi oferecido em sacrifício a Deus.
Alguns estudiosos destacam a
posição de obediência e fé do filho de Abraão, Isaque, em se submeter, já em
idade por volta dos 30 anos, a um pedido de seu pai e ao observar, a falta de
elemento central do sacrifício, o cordeiro.
Escrevi há alguns anos: “A
Lição de Isaque indo ao Moriá - Deus proverá para si o cordeiro para o
holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos. Obediência é subir ao
Monte e lá encontrar a provisão, pelo novo e vivo Caminho!”
Isaque é obediente até ao fim do
ato – falaremos adiante sobre isto.
Destaques:
Personagens –
Jeová – o que
aprova o homem
Abraão – o servo fiel, que
obedece ao Senhor
A Prova - εκπειραζω - ekpeirazo;
v. provar,
testar (inteiramente)
Isaque – o sacrifício
requisitado, mas a prova da Fé
O Local – o Monte da providencia
– Jeová Jireh
O Sacrifício – O cordeiro - o sacrifício
real foi provido por Deus.
O Altar – erguido por
Abraão para a maior prova da sua Fé
O cutelo – a arma da
execução foi contida por uma ação divina
O Anjo – a intervenção
divina
Tipos Envolvidos Neste Texto:
“1. Abraão é o Pai que
sacrificou Seu Filho como expiação pelo mundo inteiro (João 3.16).
2. O Anjo do Senhor. Até
este ponto no livro de Gênesis já pudemos apreciar várias cenas de ministério
angelical. Ver 16.7,9-11; 19.1,15; 21.17. Ver também chamado Anjo. Não há que
duvidar da existência de seres não-materiais, invisíveis e poderosos, os quais
podem entrar em contato com homens no cumprimento de várias missões.
Até esta altura da narrativa,
Elohim é o agente ativo do drama.
3. Isaque é tipo de Cristo,
obediente até a morte (Fil. 2.5-8).
4. O carneiro é tipo da
substituição, especificamente de Cristo, que foi oferecido como oferenda em
nosso lugar (Heb. 10.5-10).
5. A ressurreição foi
tipificada na fé de Abraão de que Deus traria Isaque de volta à vida, se o
sacrifício fosse levado a efeito (Heb. 11.17-19).
6. A fé que opera através de
suas obras, e é ilustrada por elas. Tiago utiliza-se deste trecho nessa
demonstração, em Tia. 2.21-23.
Isaque era o único filho que
Abraão tinha em sua companhia. Ismael já estava vivendo no deserto da Arábia.” Citações
do autor no texto: http://estudandopalavra.blogspot.com/2016/10/a-provisao-de-deus-no-monte-do.html
As emoções de um pai:
Deus então colocou a
sinceridade e a obediência de Abraão à maior prova possível. Aparecendo
repentinamente a Abraão, após um período no qual nada muito aparentemente,
importante estava acontecendo, Deus lhe disse: Toma agora o teu filho,
o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o
ali em holocausto.
Sob a pressão da tribulação,
Abraão provou ser inabalável em sua fé em Deus. Seria sua fé tão forte em
meio à felicidade que vivia ao lado da sua esposa Sara com o filho de sua
velhice Ismael?
Abraão não perguntou como essa
ordem poderia ser conciliada com a promessa de que Isaque se tornaria o pai de
uma grande nação que levaria o nome de Deus. Deus ordenou, simplesmente Abraão
se apressou em obedecer.
Gn. 22.3;6
— Então,
se levantou Abraão pela manhã, de madrugada, e albardou o seu jumento, e
tomou consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e fendeu lenha
para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera.
— E tomou Abraão a lenha do holocausto e pô-la sobre Isaque, seu
filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão. E foram ambos juntos.
Imaginem um pai temporão, aos 100
anos de idade tendo um filho desejado e agora colocado aprova, mais dura! Assim,
caminhava o velho Abraão com Isaque ao lugar do sacrifício!
O segredo no coração de Abraão
era um misto de obediência, fé e emoções, mas ele seguiu adiante em atende o
pedido de seu Deus.
O pensamento de Abraão, sabedor
do rito do sacrifício imaginava, como ele faria:
A
garganta de Isaque seria cortada (o golpe mortal); seu corpo seria despedaçado;
os pedaços do corpo seriam arrumados por sobre a lenha; e então tudo seria
consumido no fogo, até tomar-se cinzas. Assim se consumaria o sacrifício de
Isaque.
Lógico que tal impressão do
pensamento acabou não se realizando pela intervenção do Anjo.
A dificuldade inteira, quanto ao
pedido de Deus é aliviada pelo fato de que Deus estava apenas testando Abraão,
pois não haveria de permitir que ele realizasse o ato.
Também sob a ótica da posição de
Jeová (Deus não muda) quanto a sacrifícios humanos é destacada, mesmo
dizendo: - Oferece-o. Ou seja, Isaque. Aqui Deus aparece a ordenar
um sacrifício humano. Devemos lembrar que isso foi proibido terminantemente na
legislação mosaica, por ser tido como a pior das abominações pagãs. Lev. 18.21;
20.2,3.
Imagine um filho obediente,
ascendendo a montanha atrás de seu pai com uma pesada carga de lenha nas costas
(mesmo a Midrash diz: “como alguém que carrega sua estaca no ombro”),
não tem a menor ideia do que o espera lá no topo. Ele amava seu pai e sabia que
seu pai o amava. Ele nunca poderia imaginar que seu pai lhe fizesse algo que
fosse inconsistente com sua percepção do amor paternal do qual ele era o
objeto.
Os montes sempre foram lugar de
encontro com a divindade, os chamados altos.
Foi no alto do Sinai que Deus
legou a Lei a seu Povo e de lá chamou Moisés para propor uma Aliança
inquebrantável.
Para tal Moises passou 40 dias no
Monte buscando ouvir e receber a provisão moral, legal e espiritual para o
Povo.
Indo ao Encontro de Deus no Monte:
E disse: Toma agora o teu
filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de
Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas,
que eu te direi.
A tipologia da
Cristologia: Teu filho, teu único filho. Naturalmente, isso nos
faz lembrar o Filho unigénito de Deus, tipificado por Isaque.
Que Monte seria este?
Monte Moriá
Moriá é sinônimo de
sacrifício e abnegação. Nesse monte, o patriarca Abraão
passou a maior prova de sua carreira espiritual.
Obs.: “Akeida - a história do
sacrifício de Isaac.”
Localizado a leste de Sião, e
Monte Moriá tem uma altitude média de 800 metros ao nível do Mediterrâneo. De
forma alongada, sua parte mais baixa era conhecida como Ofel. Mil anos após a
era patriarcal, Salomão construiu o Templo nessa elevação. Um local isolado e
adequado para a realização do sacrifício. Salém, o povoado que mais tarde deu
origem à capital do Reino de Israel, Jerusalém, deveria situar-se a alguma
distância daquele local.
Em Moriá estão as montanhas de
Israel:
Moriá; Sião;
Oliveiras; Calvário
Local: Moriyah –
Moriá
מוריה - Mowriyah ou מריה - Moriyah; n. pr. loc.
Moriá = “escolhido por Javé”
'Por que este monte se
chama Moriá?' –
Vem da palavra 'Mora',
que, em hebraico, significa temor. Desta montanha o temor de Deus percorreu a
terra toda. Outra versão diz que vem de 'ora', que quer dizer luz, pois
quando o Todo-poderoso ordenou: 'Haja luz', foi do Moriá que pela primeira vez
brilhou a luz sobre a humanidade." Zev Vilnay, apud pastor e escritor e
professor de Geografia Bíblica Enéas Tognini.
Situado na atual região da Cidade
Velha, em Jerusalém, Israel, onde nele o patriarca Abraão subiu para
sacrificar seu filho Isaque, segundo mandamento de Deus.
Também foi nele que Davi viu o
anjo que destruiria Jerusalém, ainda segundo ordem de Deus, insatisfeito com
seu povo - 2 Samuel 24.
Ali era a “eira de Araúna”,
o jebuseu, os antigos moradores da região, onde se viu o anjo do senhor,
incumbido da peste entre o povo. E só ali após a peste parar, o lugar deu vazão
a sua chamada divina, Monte de Sacrifício e de mitigação e de prova com seu
povo.
A Caminhada:
A comitiva da caminhada ao
sacrifício:
Abraão pela manhã, de
madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo
dois de seus moços e Isaque, seu filho;
Abraão estava de coração pesado.
Mas, fez todas as provisões necessárias, em obediência à ordem divina. Quanto a
outras menções à madrugada em Gênesis, quando homens começavam a cuidar de seus
afazeres, ver 19.27; 20.8; 24.25; 28.18; 31.55; 40.6.
“Todo preparativo para o
sacrifício foi minuciosamente cuidado, como que para mostrar a calma com que
Abraão se dispôs a obedecer. Chegou a levar a lenha já rachada, não porque em
Moriá não houvesse lenha (vs. 13), mas a fim de que, ao chegarem ao destino,
nada pudesse distrair seus pensamentos, e o sacrifício pudesse ser oferecido
prontamente” (Ellicott, in loc.).
Gn.22. 4
— Ao
terceiro dia, levantou Abraão os seus olhos e viu o lugar de longe.
5 — E
disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos
até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós.
6 — E
tomou Abraão a lenha do holocausto e pô-la sobre Isaque, seu filho; e ele tomou
o fogo e o cutelo na sua mão. E foram ambos juntos.
Imagine o coração de Abraão na
caminhada até o local determinado por Deus, ele em nenhum momento sequer quis
questionar ao Senhor sobre o ato e o local, mas sabia que o local seria uma
marca na sua vida, seja com o sacrifício do moço, ou por qualquer outro
acontecimento, como realmente aconteceu.
Nesta caminhada é ressaltada aqui
a fé de Abraão. “Uma jornada. ...
silenciosa e difícil” (Allen P. Ross, in loc.).
A Confiança no Deus que servia, é
relatada no texto de Gênesis, e confirmada em Hebreus 11.
Iremos até lá. Abraão e
Isaque seguiram sozinhos, a partir dali, deixando para trás os dois servos (um
deles Eliezer?). Estes não podiam ser testemunhas do que estava prestes a
acontecer.
Havendo adorado. Um rito sacrificial
que ultrapassava a imaginação estava prestes a ter lugar.
A Fé provada e Aprovada:
Confiança!
Gn.22.10 — E
estendeu Abraão a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho.
Abraão não titubeou em oferecer a
Deus seu único filho.
A Fé demonstrada no Moriá, não
pode ser considerada levianamente por quem quer que seja. Ali estava em ação, um
novo avanço na espiritualidade estava sendo preparado em Abraão.
Hebreus 11:17-19 “Pela fé
ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as
promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a
tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os
mortos o ressuscitar; E daí também em figura ele o recobrou.”
Gn.22.9,11 — E
vieram ao lugar que Deus lhes dissera, e edificou Abraão ali um altar, e pôs em
ordem a lenha, e amarrou a Isaque, seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima
da lenha. — E estendeu Abraão a sua mão e tomou o cutelo
para imolar o seu filho. — Mas o Anjo do SENHOR lhe bradou
desde os céus e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.
A destacar no ato de livramento e
finalização da prova de Abraão que o anjo bradou duas vezes, a primeira para impedir
a morte do jovem, a segunda para declarar a aprovação de Abraão e ratificar
para sempre as bençãos desde a primeira visita de Deus a Abraão, em Genesis 12.
Primeiro brado: — “Mas
o Anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus e disse: Abraão, Abraão! E ele disse:
Eis-me aqui. — Não estendas a tua mão sobre o
moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me
negaste o teu filho, o teu único filho.”
Segundo brado: — “o
anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus, E disse: Por mim
mesmo jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste esta ação, e não me negaste o teu
filho, o teu único filho, Que deveras te abençoarei, e grandissimamente
multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que
está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos; E
em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto
obedeceste à minha voz.”
Tipologia do ato:
A cristologia é notória neste ato.
Se Abraão levou seu filho ao altar para sacrificá-lo de forma atípica, Deus O
Senhor deu o Seu Único Filho – Jesus Cristo e levou o ato ao extremo com a
morte d’’Ele na cruz do calvário, jamais poderemos deixar de estudar esta
história sem um olhar cristológico do ato e das ações e dos elementos dentro da
história abraâmica.
Conclusão:
A fé venceu o medo, mas a fé abriu
uma nova visão do que a fé é possível de realizar e a fé legítima é u usada por
Deus para providenciar resgate, pois Ele mesmo ofereceu um sacrifício mais
nobre através de seu filho Jesus Cristo pelo qual pela fé temo acesso a todas
as promessas de vida eterna e salvação.
No sacrifício real, salvífico e
vicário, o Cordeiro de Deus, não foi poupado, como Isaque o foi, porquanto
havia a imposição de uma necessidade divina. Em Sua agonia, Jesus procurou obedeceu
ao Pai, deixando a vontade do Pai se sobressair no momento de angustia no Getsêmani
(Mat. 26.39).
“Aquele que nem mesmo a seu
próprio Filho poupou, ...” Romanos 8:32
A Graça é manifesta neste ato
como a Provisão da Graça, manifesta no cordeiro atado pelos chifres, animal que
representa Cristo preso ao seu propósito de servir para expiação dos homens.
ANEXO:
ETIMOLOGIA
נסה - nacah; v.
testar, tentar, provar, seduzir, analisar, pôr à prova ou testar
מוריה -
Mowriyah ou מריה - Moriyah; n. pr.
loc. Moriá = “escolhido por Javé”
דבח- d
^ebach (aramaico); n. m. sacrifício
זבח-zabach; v.
abater, matar, sacrificar, imolar para sacrifício; (Qal) - imolar para
sacrifício; abater em julgamento divino; (Piel) sacrificar, oferecer
sacrifício.
זבח-zebach; n. m.
sacrifício; sacrifícios de justiça; sacrifícios de contenda; sacrifícios para
coisas mortas; o sacrifício da aliança; a páscoa; o sacrifício anual; oferta de
gratidão.
מנחה-minchah; n. f.
presente, tributo, oferta, dádiva, oblação, sacrifício, oferta de carne;
presente, dádiva; tributo; oferta (para Deus); oferta de cereais.
איל-
’ayil; n. m.carneiro (como sacrifício)
Moriá - YAWEH
JIRÉ. O lugar para sacrifício de seu filho, foi um Monte de sacrifício para
o serviço sacrificial, que lhe fora solicitado.
יהוה ירה - Y
^ehovah yireh
πιστις - pistis; n.
f. convicção da verdade de algo, fé; no NT, de uma convicção ou crença que diz
respeito ao relacionamento do homem com Deus e com as coisas divinas,
geralmente com a ideia inclusa de confiança e fervor santo nascido da fé e
unido com ela. - fé com a ideia predominante de confiança (ou confidência) seja
em Deus ou em Cristo, surgindo da fé no mesmo; fidelidade, lealdade - o caráter
de alguém em quem se pode confiar
πιστος - pistos;
adj. verdadeiro, fiel; alguém que manteve a fé com a qual se comprometeu, digno
de confiança; que crê, que confia
אמנה -’amanah; n. f.
fé, apoio, segurança, certeza
πειραζω - peirazo;
v. tentar para ver se algo pode ser feito; tentar, fazer uma experiência com,
teste: com o propósito de apurar sua quantidade, ou o que ele pensa, ou como
ele se comportará - tentar ou testar a fé de alguém, virtude, caráter, pela
incitação ao pecado
πειρασμος - peirasmos;
n. m. experimento, tentativa, teste, prova - tentação, prova - tentação da
fidelidade do homem, integridade, virtude, constância; adversidade,
aflição, aborrecimento: enviado por Deus e servindo para testar ou provar o
caráter, a fé, ou a santidade de alguém
πιστευω - pisteuo;
v. pensar que é verdade, estar persuadido de, acreditar, depositar confiança em
- acreditar, ter confiança - numa relação moral ou religiosa.
Fonte:
A idade de Isaac no momento da
ligação (Akeidah); Rabino Dovid Rosenfeld
AQEDAH: O SACRIFÍCIO DE ISAQUE; Julia
Blum
Dicionário Strong
Comentário Beacon Genesis
Lição CPAD – EBD
Apontamentos do autor
Citações no corpo do texto
Bíblia ARA – Bíblia online





