sábado, outubro 10

Lição 1: O Livro de Jó 4º Trimestre de 2020 - CPAD

 Lição 1: O Livro de Jó

4º Trimestre de 2020 - CPAD

Estudo do Pastor e Professor Universitário: Osvarela

A Fragilidade Humana E A Soberania Divina — O Sofrimento E A Restauração De Jó

Comentarista: José Gonçalves; Data: 04 de Outubro de 2020

Texto Áureo:

“Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” Tiago 5.11.

Verdade Prática

O livro de Jó não é apenas uma preciosidade da literatura universal, mas, sobretudo, uma poderosa resposta de Deus para as grandes questões da vida.

Leitura Bíblica

2 Timóteo 3.16; Ezequiel 14.14,19,20; Tiago 5.11.

2 Timóteo 3

16 — Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça,

Ezequiel 14

14 — ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma, diz o Senhor Jeová.

19 — Ou se eu enviar a peste sobre a tal terra e derramar o meu furor sobre ela com sangue, para arrancar dela homens e animais;

20 — ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nem filho nem filha eles livrariam, mas só livrariam a sua própria alma pela sua justiça.

Tiago 5

11 — Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.

Hinos Sugeridos

157, 163 e 289 da Harpa Cristã.

Objetivo Geral

Mostrar que o Livro de Jó é uma poesia inspirada que retrata o dilema vivido por uma pessoa histórica.

Objetivos Específicos

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Mostrar que, a partir das evidências internas do livro, é possível conhecer o contexto no qual Jó viveu;

II. Especificar o gênero literário e de que forma esse conhecimento ajuda na compreensão do Livro de Jó;

III. Identificar o propósito e a mensagem do Livro de Jó.

Leia mais em estudo deste autor:

http://estudandopalavra.blogspot.com/2012/09/licao-10-cpad-perda-dos-bens-terrenos.html

Etimologia:

עוץ ‘ Uwts; Uz = “arborizado” n. pr. m. filho de Arã e neto de Sete; filho de Naor com Milca; um edomita, filho de Disã e neto de Seir .

N. pr. loc. a terra de Jó; provavelmente a leste e sudeste da Palestina em algum lugar no deserto árabe.

נעמתי  - Na ‘amathiy

gentílico de um lugar com nome correspondente (mas não idêntico)

com 5279; adj

Naamatita = veja Naamá “amabilidade”; um habitante de Naamá (localização desconhecida); refere-se a Zofar, o amigo de Jó.

צופר  - Tsowphar; n. pr. m. Zofar = “pardal”; o 3º amigo de Jó.

שחי - Shuchiy; adj. pr. suíta = ver Suá “riqueza”; um apelativo étnico aplicado somente a Bildade, o amigo de Jó.

Ιωβ - Iob; n. pr. m.= “clamor de aflição” ou “Eu exclamarei”; um homem conhecido pela sua piedade, consistência e coragem em suportar provações. Suas experiências estão relatadas no livro do AT que leva o seu nome.

איוב - ’Iyowb no grego Ιωβ; n. pr. m. Jó = “odiado”; um patriarca, o tema do livro de Jó.

אליהוא - ’Eliyhuw ou (forma completa) אליהו ’Eliyhuw’; n. pr. m. Eliú = “Ele é meu Deus”; o homem mais jovem que repreendeu Jó e seus três amigos

אליפז - ’Eliyphaz; n. pr. m. Elifaz = “meu Deus é ouro (de boa qualidade)”; filho de Esaú, pai de Temã; o amigo temanita de Jó.

בהנות - b ^ehemowth; mas de fato um singular de derivação egípcia; n. m. talvez um dinossauro extinto - um Diplódoco ou Braquiosauro, significado exato desconhecido. Alguns traduzem como um elefante ou um hipopótamo mas, com base na descrição contida em Jó 40.15-24, isso é evidentemente um absurdo.

בלדד - Bildad; n. pr. m. Bildade = “amor confuso (por mistura)”; o segundo amigo de Jó.

יוב  - Yowb, talvez uma forma de 3103, porém mais provavelmente uma transcrição errônea; n. pr. m. Jó = “perseguido”.

לויתן - livyathan; n. m. leviatã, monstro marinho, dragão; um grande animal aquático - talvez um dinossauro extinto (plesiosaurus), significado exato desconhecido. Alguns acreditam que seja uma espécie de crocodilo. Mas, a partir da descrição em Jó 41.1-34, isto é evidentemente absurdo. Parece ser um animal grande e que, de alguma forma, expele fogo. Assim como o besouro bombardeiro tem um mecanismo que produz explosão, assim o grande dragão do mar pode ter tido um mecanismo que produzia explosão, tornando-o, assim, um verdadeiro dragão que expelia fogo.

Introdução:

Jó é considerado o mais antigo dos livros da Bíblia, pois a tradição judaica diz que foi o primeiro livro a ser escrito por Moisés, quando estava ainda ele em Midiã.

O livro de Jó é um dos livros mais comentados no Mundo, seja pela Igreja, seja pelos estudiosos ou homens comuns ou iletrados.

É uma ode ao sofrimento?

É um livro apenas figurativo?

A descoberta de um Targurn de Jó nas cavernas de Qumrã prova que o livro já estava em circulação durante algum tempo antes do primeiro século a.C.

A data do livro de Jó permanece uma questão aberta, mas a opinião majoritária é que o diálogo ocorreu no século VII a.C.

Jó o personagem central existiu?

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó,....”Jó 1:1

Onde ficava a terra onde ele nasceu?

O cenário da história é Uz - Edom, uma terra do Oriente (Jó 1.3).

Em que época ele viveu?

A exemplo dos Patriarcas, Jó tinha manadas e rebanhos.

Jó mostra um tipo de vida e cultura que mais se aproxima do período patriarcal. Por exemplo, o livro afirma que Jó viveu mais 140 anos depois da restauração da sua saúde e riqueza, além dos anos que ele tinha vivido antes do seu infortúnio. Não há expectativa de vida como essa na narrativa bíblica depois do período patriarcal. A riqueza de Jó consistia basicamente em rebanhos e manadas, como ocorria com os patriarcas.

A Situação de Jó - ’iyyobh:

Ao lermos o livro de Jó compreendemos que o personagem do livro, apresentado como:

“HAVIA um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.” Jó 1:1

E possível que o sentido passivo, “ser perseguido”, seja o melhor significado para o substantivo, aqui usado. A forma arábica do nome parece vir da raiz que significa “retornar ou arrepender-se”— o penitente ou, pela ampliação da idéia, o piedoso.

É um justo que tem a graça de ser visto pelo próprio Deus Eterno, como alguém que podia ter o aval do todo Poderoso, entre os homens da Terra.

O termo hebraico “tam” usado na afirmação, este era homem sincero (perfeito, ou “íntegro”, ARA), é de grande interesse para os teólogos da santidade. O significado principal da raiz é plenitude de caráter. No caso de Jó, não significa perfeição no sentido absoluto.

Humanidade do personagem:

Jó afirma que ele é “tam” (Jó 27.5), mas ele também admite suas fraquezas humanas (Jó 9.1ss; 13.26).

Integridade de Jó:

Jó mantém a integridade básica do seu caráter. Tudo faz parte de uma mesma disposição. Os olhos e o coração estão focados no que é íntegro (cf. Mateus 6.22; At 2.46).

Um coração sem divisão:

Submisso a Vontade divina.

O coração de Jó não está dividido (SI 12.2).

A vontade de Jó pertence a Deus e ele não abre mão disso (Jó 2.9-10; 27.5).

Reto e Temente:

Além de ser sincero (perfeito/íntegro), também lemos que Jó era reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.

Justo – sem falta:

Não havia falta em Jó. Ele preenchia todos os requisitos dos seus dias de um homem exemplar. Na narrativa, essas qualidades em Jó não constituem a avaliação de homens, mas sim, a avaliação do próprio Deus.

Riqueza e família:

Esta situação ímpar da vida, personalidade e caráter de Jó atraiu a Satanás, que o vê como o próximo alvo a ser atingido, em mais uma tentativa de desmontar o Plano divinal, que na forma antropológica do ser humano criado por Deus.

Quem entre os personagens bíblicos, entre os antigos do VT, porventura, foi seu contemporâneo?

Seu sofrimento foi real?

Ele foi chagado, mesmo?

Sua mulher morreu o abandonou?

Como tinha tantos filhos e filhas?

Como tinha tanta riqueza?

Foi apenas uma trama escrita, sobre o justo que não se afasta de Deus, mesmo com o mais forte sofrimento, em sua pele, em seus bens, em sua família?

Estas são apenas algumas das perguntas, entre tantas que suscita o Livro de Jó, tema destes Estudos de Outubro a Dezembro.

Personagens:

Deus é o Javé dos hebreus, que é Senhor do céu e da terra.

Satanás o adversário de Jó.

Jó – personagem principal. Houve, realmente, um homem chamado Jó com a reputação de retidão e atestado por uma referência, do próprio Deus, além da citação no contexto bíblico como em Ezequiel 14.14. A narrativa básica do livro é fundamentada em neste personagem real com esse nome.

Primeira família:

Sua esposa anônima

Seus filhos anônimos, em duas etapas de vida.

Seus amigos:

Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta e Zofar, o naamatita.

Um jovem espectador chamado Eliú está em silêncio e não é mencionado no início.

Depois de três rodadas de debates com os outros amigos, ele intervém na discussão.

A Autenticidade do Livro e do Personagem:

Forma da escrita:

Poético:

Poema dramático, no modo literário oriental, das terras da Mesopotâmia.

A Bíblia explica a própria Bíblia. Dentro do conceito de concordância interna, e externa, (contextos próximas – no mesmo livro, ou capítulo - ou contextos distantes) temos as citações bíblicas, sobre o Personagem Jó. Conferindo, portanto, autenticidade ao mesmo.

Partindo da base bíblica que o personagem Jó existiu, como cremos, sem dúvida alguma.

Qualidades do Personagem:

“..., e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.” Jó 1:1

Íntegro –

Reto –

Temente –

Desviava-se do mal – “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” Salmos 1:1

תם - tam; adj. perfeito, completo; íntegro, moralmente inocente, que tem integridade - pessoa moral e eticamente pura pessoa a quem não falta força física, beleza, etc. São, saudável - uma pessoa normal, pessoa calma -.

Satanás – O Acusador

σαταν – Satan; de origem hebraica - שטן , cf 4567; n. pr. m. adversário (alguém que se opõe a outro em propósito ou ação), nome dado; ao príncipe dos espíritos maus, o adversário inveterado de Deus e Cristo - incita à apostasia de Deus e ao pecado - engana os homens pela sua astúcia - diz-se que os adoradores de ídolos estão sob seu controle - pelos seus demônios, é capaz de possuir pessoas e infligi-las com enfermidades - é derrotado com a ajuda de Deus - na volta de Cristo do céu, ele será preso com cadeias por mil anos, mas quando os mil anos terminarem, ele andará sobre a terra ainda com mais poder, mas logo após será entregue à condenação eterna; pessoa semelhante a Satanás

O personagem acusador – Satanás.

– que perdeu sua forma criada, com parâmetro da beleza, atingido pelo pecado eterno, diferente do homem, que pode ser redimido, Satanás não tem condições de voltar a ter o perdão, está condenado ao Inferno e ao Lago de fogo.

O substantivo hebraico “satan” que deu origem também ao verbo da mesma raiz, tem o sentido de adversário, contrário, opositor e inimigo nos textos de 1 Reis 5:18; 11:14,23-25; Números 22:22,32; 1 Samuel 29:4; 2 Samuel 19:23.

No Salmo 109:6, o sentido do termo é acusador, e quando aparece com o artigo, como em Zacarias 3:1,2; Jó 1:6; 2:1 e 1 Crônicas 21:1, a ideia é a de um rival, fiscal ou Satã. Há seis ocorrências do verbo e 23 do substantivo. Dessas referências a maioria não trata da figura de Satanás.

Um personagem real:

Várias passagens bíblicas do Antigo Testamento falam de Satanás como ser pessoal são poucas: alguns textos de Jó (1:6-9,12; 2:1-4,6-7), de Zacarias (3:1,2) e de 1 Crônicas (21:1).

Além desses textos, é preciso incluir aqui a narrativa da Serpente do Éden em Gênesis 3.

Além da manifesta atuação deste ser apresentada no Novo Testamento:

“Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,” Mateus 4:5

No Novo Testamento a conexão é explícita:

O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terraApocalipse 12:9 – NVI.

É este o personagem que veio ao concilio eterno das criaturas celestiais, e foi questionado pelo Eterno, sobre um caso específico, a Vida do Servo Jó.

Satanás se apresenta diante de Deus, por duas vezes e desencadeia a tragédia.

Somente por meio de Revelação, o autor poderia ter acesso à informação concernente às duas cenas no céu descritas nos Capítulos 1 e 2.

Satanás achou que Jó sofreria o mal e desprezaria sua comunhão com Deus.

As vezes que Satanás veio a presença do Eterno:

“E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.” Jó 1:6,7

Deus controla todas as hostes celestiais, as más e a perfeitas.

Não há relação alguma entre os filhos de Deus de Jó 1.6 com os salvos em Cristo que comparecerão um dia no “Tribunal de Cristo” (2Co 5.10). Nesse Tribunal, somente os transformados do material para o espiritual estarão na presença de Cristo para receberem seus galardões pelas obras feitas através do corpo aqui na Terra. Outrossim, os filhos de Deus que comparecerem diante de Deus  no céu eram, sem dúvida, os anjos criados por Deus, os quais sempre tiveram acesso ao Trono de Deus. Entre esses filhos de Deus apareceu num dia Satanás, o anjo rebelde, o qual, inevitavelmente, está sob o poder soberano do Criador. Satanás, tanto quanto os demais anjos, são seres espirituais, por isso somente seres espirituais tem acesso ao céu.” Uma análise de Jó 1.6 e João 3.13 – CPAD - Pastor Elienai Cabral; conferencista, teólogo, membro da Casa de Letras Emílio Conde, comentarista de Lições Bíblicas da CPAD, membro do Conselho Administrativo da CPAD

Lógico e que segundo Paulo escreve aos Coríntios que todos os seres, após a morte vicária estão no presente momento submetida ao Reino do Filho (excetuando-se o próprio Pai que o exaltou).

“Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” 1 Coríntios 15:25-28

Assim, no texto de Jó 1 temos:

Jó 1.6 diz que “os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor”, claro está que refere-se aos seres espirituais, ou seja, anjos, os quais são responsáveis diante de Deus e prestam-lhe contas.

Uma vez que em Jó 2.1 está escrito que “Satanás veio entre eles apresentar-se diante de Deus”, subtende-se que mesmo os anjos rebeldes estão debaixo da soberania divina.

“E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o SENHOR.” Jó 2:1

Lemos que ele veio “apresentar-se”, sua presença está condicionada a soberania de Deus, que mesmo sendo Onisciente exerce seu Reino sobre todos.

Nem toda vez que encontramos essa expressão "filhos de Deus" na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, ela está se referindo a anjos. Por isso, pelas regras mais simples da hermenêutica, devemos sempre recorrer ao contexto daquela expressão.

Todos têm que dar contas do que fazem a Ele!

A Difícil Interpretação:

Jó é um livro (o significado do texto é difícil), pois é iminentemente oriental da região da Mesopotâmia (As descobertas em Ugarite e de alguns textos antigos têm servido de ajuda na compreensão de alguns desses termos), berço das civilizações bíblicas. Esta região tem distintas formas culturais e de língua que produzem um esforço ao leitor, seja, para interpretar o conteúdo cultural, alguns elementos (como os animais, descritos), seus costumes de cidadania, riqueza e amizade entres os diversos personagens descritos no sofrimento do personagem principal, Jó.

É reconhecido, pelos estudiosos, que o vocabulário empregado pelo autor desse livro é o mais amplo do Antigo Testamento. Inúmeras palavras aparecem uma única vez nesse livro e em nenhum outro.

A comparação com línguas de origem semelhante ajuda até certo ponto na descoberta desses significados.

O problema ainda permanece a tal ponto que esse é um dos livros do Antigo Testamento mais difíceis de ser traduzidos.

Mas, mostra. apesar de todos os “erros” em suas interpretações sobre porque Jó sofreu tantos e imediatos reveses, assentaram-se ao lado do amigo, para confrontar, a sua ode de sofrimento, e buscando um entendimento, sobre pecado, erros ou até mesmo a soberania de Deus, tanto que, foram condenados pelo próprio Deus:

Em várias ocasiões, se não impossível, de ser definido e assim, por falta de continuidade, o tradutor é forçado a fazer algumas emendas conjecturais para que o texto faça sentido. Podemos observar isso ao comparar a variedade de significados dados a algumas divisões do livro por tradutores modernos.”

Formatação do Livro de Jó:

O livro de Jó faz parte da terceira divisão do cânon hebraico, o Kethubim, os hagiógrafos, ou Escritos. A ordem nessa divisão tem variado nas diferentes tradições.

Atualmente Jó é colocado entre Provérbios e Cantares de Salomão (Cânticos de Salomão)

no cânon hebraico. A Tradução Brasileira coloca Jó entre Ester e os Salmos, onde Jó é o primeiro dos três grandes livros poéticos. Essa é a ordem usada por Jerônimo na sua tradução Vulgata e subseqüentemente ela foi confirmada no Concílio de Trento (15451563) em sua declaração oficial do cânon das Escrituras.

Há diversos estudos sobre a composição do Livro de Jó.

Mas, acho importante e simples apontar as partes do Livro em 3 (três):

1.       O Prólogo (1.1—2.13);

Discursos;

2.      A Introdução aos discursos de Eliú (32.1-5);

3.      O Restante do texto está em forma poética.

4.      Ressalto ainda nesta divisão o trecho, à partir, do capítulo 38:

5.      Após a fala de Eliú, o mais jovem:

Prosseguiu ainda Eliú, e disse: [...]. Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça. Por isso o temem os homens; ele não respeita os que se julgam sábios de coração. Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:”  Jó 36:1;37:23,24;Jó 38:1

6.      O Epílogo (Jó 42.7-17) apresentados em prosa.

Pode ser simples, mas é uma forma fácil de identificar as partes literárias do tema. e Tiago 5.11, o reconhece como modelo de paciência. Essas duas referências mencionam um indivíduo chamado Jó. Elas não tratam da identidade do autor do livro.

Inúmeras sugestões têm sido feitas quanto a possíveis autores desse livro. Entre elas estão o próprio Jó, Moisés e uma variedade de pessoas anônimas, que vão desde a época dos patriarcas até o terceiro século a.C.

Nós aceitamos a autoria de Moisés.

Uma Obra-Prima da literatura Bíblica:

Embora o nome do autor nunca venha a ser conhecido por nós, algumas qualidades desse homem podem ser determinadas por meio do livro que ele escreveu. Quem quer que ele tenha sido, foi uma das maiores figuras literárias do mundo. Qualquer lista de grandes obras-primas na área da literatura certamente incluiria o livro de Jó. Na verdade, muitos a colocariam no topo da lista.

Alfred Tennyson descreveu o livro de Jó como o maior poema dos tempos antigos e modernos e Thomas Carlyle disse que não existe nada dentro ou fora da Bíblia com o mesmo valor literário. Alfred Tennyson, 1º Barão de Tennyson, foi um poeta inglês. Estudou no Trinity College, em Cambridge.

Ou o autor de Jó sofreu grandemente em sua própria vida ou ele teve uma capacidade incomum de sentir compaixão e empatia por aqueles que sofriam. Junto com essa grande sensibilidade ele foi profundamente religioso.

A Expulsão e o vagar de Satanás.

Um dos maiores enigmas do livro, por onde Satanás andava e porque ele conseguia entrar diante de Deus.

Deus é perfeitamente puro, como a Sua Morada, que nada pode conspurcar o Eterno. Observe-se, que este entendimento pode mudar após Gálatas 2.2. e a Cruz.

Expulso de sua morada celestial, Satanás não ficou restrito somente à Terra. Isso é evidenciado pelos dois concílios celestiais aos quais ele se fez presente, mencionados no livro de Jó (Jó 1:6; 2:1). Embora não saibamos onde ocorreram, fato é que não foi no Céu, visto que ele foi expulso de lá. Vê-se também que não foi na Terra, pois, ao ser perguntado de onde vinha, ele respondeu: “… de rodear a Terra e passear por ela” - Jó 1:7; 2:2.

Tais concílios ocorreram em algum lugar do Universo, que não a Terra nem o Céu. Percebe-se que o objetivo de Satanás em ter contato com Deus após o pecado, era com a intenção de desafiá-lo por mais uma vez.

A Pretensa Disputa de Satanás, se dá Usando Jó (homem a coroa da criação):

A ideia de Satanás era conflitar diante dos anjos a posição de Deus. Afinal, o homem, um mortal recebia dádivas, mas nunca tinha sido provado, por isto era fiel à Deus. Mero e pretexto e como sempre distorcendo as palavras de Deus, que colocou o homem como Gerente das riquezas da Terra, e sendo fiel e adorador recebe as promessas de Deus. Satanás mostra que realmente perdera faculdades divinas do bem e desconhecia e não aceitava, ser um ser criado, sem Onisciência.

O acusador procura, com suas palavras, fazer-nos crer , e as miríades celestiais, do mal ou do bem, que Deus é um dominador arbitrário e egoísta.

Ao dialogar com Deus, procurava “mostrar” perante o universo que Deus era injusto em abençoar a Jó e que este não servia ao Senhor por amor, mas porque era beneficiado pelo Eterno: “Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face!” (Jó 1:11).

E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR e disse: Porventura, teme Jó a Deus debalde? Porventura, não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentado na terra”  Jó 1: 5 a 10.

O acusador procura fazer-nos crer que Deus é um dominador arbitrário e egoísta. Ao dialogar com Deus, procurava “mostrar” perante o universo que Deus era injusto em abençoar a Jó e que este não servia ao Senhor por amor, mas porque era beneficiado pelo Eterno:

Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face!” Jó 1:11.

Sabendo da intenção de Satanás, Deus respondeu:

Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR” Jó 1:12.

Fidelidade não depende de Riqueza:

Impressiona logo no início do livro a velocidade dos acontecimentos, e a fidelidade de Jó mostrou-se tão forte, que Satanás não teve mais como argumentar com Deus, conforme nos é prometido em 1 João 5:18:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca”.

Jó passou a maior parte do tempo negando que a prosperidade material seja a recompensa da retidão. Pode parecer que a recompensa final com Jó recebendo em dobro tudo que perdera.

Incoerente?

Não, apenas Deus mostrando que o fiel, pode não entender, mas Ele dá a Seus filhos segundo a fidelidade.

“E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos. E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna. Porém muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros.” Marcos 10:28-31

Jó experimentou a Perseguição, ainda que não entendesse:

“Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu. Nunca estive tranqüilo, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação.” Jó 3:25,26

Por isto, Jó já estava se preparando, por ele e pela sua família:

“E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.” Jó 1:4,5

Jó passou no teste, mesmo sem reconhecer, o teste:

A maior prova de Jó ser chamado por Deus, como exemplar é que ele jamais questionou Seu Deus, ainda que seus amigos o provocassem, ou mesmo a sua mulher:

“..., o propósito real do autor é simplesmente afirmar que o homem pode ser bom sem ser recompensado por isso. E nesse momento que Jó se torna vitorioso.

Ele aceita tanto o bem como o mal de Deus sem rebelar-se contra Ele, mesmo que pergunte por que e, às vezes, admita de forma amarga que Deus está contra ele, sem justa causa. Jó não exigiu restauração da sua prosperidade como uma condição para servir a Deus. O que ele pediu foi uma vindicação do seu caráter. Quando isso é alcançado, não existe inconsistência com o propósito e argumento do autor em permitir que a narrativa tenha um final materialmente feliz para Jó. Os sofrimentos que ele teve de suportar tinham um propósito particular. Não havia necessidade para o sofrimento se tomar perpétuo depois que o propósito tinha sido alcançado.” 0 Livro de

JÓ; Milo L. Chapman (compilado e editado, por este autor do presente estudo)

 

BIBLIOLOGIA:

Dicionário Strong

Citações no corpo do texto

Jó a Cantares de Salomão 3; CPAD, Livro de JÓ, Milo L. Chapman

Onde foi a reunião em que Satanás se apresentou a Deus? Equipe Biblia.com.br

Apontamentos do autor

Como Satanás aparece no Antigo Testamento; A compreensão das referências a Satã no Antigo Testamento é muito importante para nos dar um entendimento mais amplo das Escrituras, Luiz Sayão é professor em seminários no Brasil e nos Estados Unidos, escritor, linguista e mestre em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica pela Universidade de São Paulo (USP).

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